22/01/2026 10h39
Foto: Portos RS - Divulgação
A assinatura do contrato de adesão do Terminal de Uso Privado (TUP) da CMPC no Porto de Rio Grande (RS) marcou um dos principais avanços logísticos do Projeto Natureza, que prevê investimentos de aproximadamente R$ 24 bilhões no Rio Grande do Sul. O empreendimento está ligado à implantação de uma nova unidade industrial de celulose em Barra do Ribeiro e à estruturação da logística de exportação da produção.
O Projeto Natureza deverá impactar mais de 75 municípios gaúchos e gerar cerca de 12 mil postos de trabalho durante as obras, além de aproximadamente 1,5 mil empregos após a conclusão. Com a ampliação da produção, a expectativa é de um escoamento superior a 4,3 milhões de toneladas de celulose por ano, o que motivou a implantação de dois novos Terminais de Uso Privado no estado, em Rio Grande e Barra do Ribeiro, com investimentos estimados em R$ 1,4 bilhão.
O TUP do Porto de Rio Grande terá capacidade de movimentar até 9 milhões de toneladas por ano a partir do 11º ano de operação. A infraestrutura prevê armazenagem de cerca de 194 mil toneladas e operação simultânea de dois navios. A fase de construção deve gerar aproximadamente 1.500 postos de trabalho, enquanto a operação deverá criar mais de 400 empregos diretos e cerca de 2.100 indiretos. O contrato de adesão foi assinado em 7 de janeiro de 2026.
A cerimônia ocorreu no Porto de Rio Grande e reuniu autoridades federais e estaduais, entre elas o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, diretor-geral de Celulose da CMPC Brasil, Antonio Lacerda. A área destinada ao terminal permanecia sem operação desde 2014 e passa a ser incorporada ao complexo logístico voltado à exportação de celulose.
O terminal da CMPC integra a estratégia de ampliação da infraestrutura portuária associada ao Projeto Natureza, que prevê a conexão entre a nova planta industrial de Barra do Ribeiro e o Porto de Rio Grande por meio de soluções logísticas dedicadas. A movimentação adicional de cargas deverá ocorrer principalmente por vias fluviais e rodoviárias, com foco no escoamento contínuo da produção destinada ao mercado externo.
Durante a cerimônia, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o governo trabalha para recolocar o Porto de Rio Grande no centro do desenvolvimento do país. “A gente quer criar todas as condições para que esse porto volte a funcionar com toda a força possível. Porto forte significa emprego, renda, indústria funcionando e comida chegando mais barata na mesa do povo. Quando o Estado investe, a economia cresce, o Brasil exporta mais e quem trabalha sente a diferença na vida real”, declarou.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o projeto amplia a eficiência logística e a competitividade das exportações brasileiras. “Estamos promovendo um salto de eficiência logística, que reduz custos, amplia a capacidade de escoamento da produção e fortalece a competitividade das exportações brasileiras. Ao integrar hidrovias e porto, criamos um ambiente mais atrativo para investimentos, geramos emprego e renda e ampliamos a participação do Brasil nos mercados internacionais”, afirmou.

Foto: Eduardo Oliveira - MPor
Um dos destaques do evento foi a formalização da cessão de área para o terminal de uso privado da CMPC, com investimento direto de R$ 1,5 bilhão e expectativa de geração de cerca de mil empregos diretos. O projeto está vinculado à nova fábrica de celulose da empresa em Barra do Ribeiro, que terá aporte superior a R$ 25 bilhões e previsão de início de operação em 2029.
“A assinatura da concessão para o terminal portuário da CMPC em Rio Grande é um passo fundamental para a execução do Projeto Natureza, maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul. Para a implementação da nossa área própria no porto, faremos um aporte de R$ 1,5 bilhão e temos a expectativa de geração de cerca de mil empregos. A partir desta etapa, seguiremos com o cronograma para a implantação da nova fábrica em Barra do Ribeiro”, afirmou Antonio Lacerda, diretor-geral de Celulose da CMPC Brasil.
Papel logístico
O presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, destacou o papel do porto na nova operação logística da companhia. “O Porto de Rio Grande ocupa um papel logístico central para viabilizar a exportação da produção da CMPC. Essa nova operação será estratégica para o escoamento da celulose, com impacto direto na movimentação portuária e na atração de novos negócios”, afirmou.
Segundo Klinger, a tendência é de crescimento da movimentação portuária nos próximos anos, o que exigirá ampliação da capacidade instalada. “A consolidação de projetos desse porte reforça o papel da autoridade portuária como indutora do desenvolvimento regional. Estamos preparados para garantir a eficiência operacional e a sustentabilidade das operações”, disse.