10/02/2026 11h32
Foto: Divulgação
A Mercedes-Benz do Brasil fechou 2025 na liderança do mercado nacional de ônibus elétricos com o chassi eO500U, que somou 222 unidades emplacadas ao longo do ano, segundo dados da Fenabrave. O resultado coloca o modelo como o elétrico mais vendido do segmento no País, em um momento de aceleração gradual da eletrificação do transporte coletivo, principalmente nas grandes capitais.
O avanço não para nas vendas consolidadas. A fabricante afirma ter mais de 200 unidades em negociação, com foco principal na cidade de São Paulo - maior mercado de transporte coletivo urbano do Brasil. Caso se concretizem, as entregas devem ocorrer ao longo do primeiro semestre, ampliando a presença do modelo em operações de alta demanda e reforçando a tendência de eletrificação progressiva das frotas municipais.
Produzido no Brasil, na planta de São Bernardo do Campo (SP), o eO500U foi desenvolvido com foco nas condições operacionais típicas de cidades brasileiras e latino-americanas, incluindo ciclos severos de uso, temperatura elevada e topografia variável. O chassi integra a tradicional família O 500 e segue arquitetura Padron 4x2 de piso baixo, compatível com carrocerias de até 13,2 metros.
No campo técnico, o modelo oferece autonomia de até 270 km por carga - patamar relevante dentro do contexto operacional brasileiro, onde a viabilidade econômica ainda depende fortemente da compatibilidade com rotas urbanas completas. O sistema de recarga utiliza padrão CCS2, com tempo aproximado de até três horas para carga completa, dependendo da infraestrutura disponível.
Além do veículo em si, a estratégia comercial da marca inclui oferta de soluções associadas à operação elétrica, como telemetria via FleetBus, suporte técnico dedicado, treinamento para operadores, apoio na estruturação de infraestrutura de recarga e soluções financeiras via banco próprio. Esse pacote tem sido tratado pelas montadoras como parte essencial para viabilizar projetos de eletrificação em larga escala no transporte público.
Na prática, o desempenho comercial do eO500U indica dois movimentos paralelos no mercado brasileiro: de um lado, a consolidação dos primeiros volumes relevantes de ônibus elétricos nacionais; de outro, o avanço gradual de projetos estruturados de eletrificação, ainda muito concentrados em grandes centros urbanos.
Para o curto prazo, São Paulo segue como principal vetor de crescimento do segmento. A concretização das negociações em andamento pode reforçar a capital como principal vitrine operacional da eletromobilidade pesada no País, num momento em que políticas públicas, metas ambientais e pressão por redução de emissões começam a convergir com a viabilidade técnica e financeira da tecnologia.