30/01/2026 10h07
Foto: Ilustrativa
A falta de integração entre dados operacionais e comerciais continua custando caro à indústria brasileira. Um levantamento da ABII (Associação Brasileira de Internet Industrial) mostra que o setor perde entre 8% e 12% de sua capacidade produtiva e de faturamento por não transformar informações em decisões práticas.
O problema se torna mais evidente quando áreas como comercial, logística e produção operam de forma desconectada, sem compartilhar uma base única de dados. Essa falta de sintonia gera distorções que afetam diretamente o desempenho das empresas, de estoques acumulados em um ponto da cadeia a rupturas em outro.
Em indústrias de bens de consumo, por exemplo, é comum que a ausência de integração entre dados de sell-in, sell-out e estoque de distribuidores leve a uma produção desalinhada com a real demanda, comprometendo margens e espaço em categorias mais rentáveis. Para joão Chencci, head da AGR Tech, o desafio não está na falta de dados, mas na forma como eles são utilizados.
"Ainda há uma lacuna grande entre o volume de informações que as empresas coletam e a capacidade de interpretá-las de forma inteligente. É comum vermos times comerciais e operacionais tomando decisões em silos, o que afeta diretamente a margem e a previsibilidade da demanda", explica.
Na avaliação do porta-voz da AGR Tech, o caminho passa pela governança de dados e pela disseminação de uma cultura analítica em toda a cadeia produtiva. Isso envolve o uso de ferramentas de analytics preditivo, a integração entre sistemas como ERP e CRM e a padronização de indicadores entre áreas.
"Quando as áreas falam a mesma língua e enxergam o mesmo painel de indicadores, as decisões deixam de ser reativas e passam a ser preventivas. A redução de perdas e o ganho de produtividade são consequências diretas desse amadurecimento", complementa.
A AGR acredita que o avanço da cultura analítica será um dos principais vetores de crescimento sustentável da indústria nos próximos anos, com potencial de elevar a eficiência operacional em até 20%.