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Transporte Terrestre

Chery promete carro elétrico com 1.500 km já em 2026

Modelo da Exeed manteria autonomia mesmo a –30 ºC e antecipa ofensiva chinesa nas baterias sólidas

21/01/2026 07h30

Foto: Divulgação

A corrida pelas baterias de estado sólido, há anos tratada como o “próximo grande salto” dos carros elétricos, começa a sair do papel. O grupo Chery anunciou que pretende equipar já em 2026 um modelo elétrico com esse tipo de bateria, prometendo números que hoje soam quase irreais: até 1.500 quilômetros de autonomia, mesmo em temperaturas extremas de -30 ºC.

O carro em questão é o Liefeng, um shooting brake elétrico da marca Exeed, divisão premium da Chery no mercado chinês. Ainda em estágio conceitual, o modelo foi apresentado como a vitrine tecnológica da futura bateria Rhino S, desenvolvida pela própria Chery em parceria com fornecedores locais.

Segundo a fabricante, a bateria sólida terá densidade energética de até 600 Wh/kg, patamar muito acima do que hoje oferecem as baterias de íons de lítio usadas em carros elétricos de produção. Para efeito de comparação, células atuais normalmente operam entre 160 e 250 Wh/kg, dependendo da química e da aplicação.

Mais do que a autonomia teórica, o discurso da Chery foca em outro ponto sensível: o desempenho em frio intenso. A empresa afirma que a bateria mantém funcionamento estável e alcance próximo do nominal mesmo a -30 ºC, um cenário em que veículos elétricos convencionais podem perder até metade da autonomia. Se confirmado em uso real, seria um avanço relevante para mercados de clima severo - e um dos grandes gargalos históricos da eletrificação.

No pacote técnico, o Liefeng também chama atenção pelos números de desempenho. A Chery fala em arquitetura elétrica de 800 volts, motor elétrico capaz de girar a 30.000 rpm, aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 3 segundos e velocidade máxima estimada em 260 km/h. Na prática, trata-se de um carro-conceito pensado para demonstrar o limite da tecnologia, não necessariamente um produto pronto para vitrines globais.

O anúncio não surge do nada. Em dezembro de 2025, a própria Exeed já havia revelado o ES8, outro shooting brake elétrico que promete 1.000 km de autonomia com bateria sólida. A estratégia da Chery é clara: iniciar a aplicação dessa tecnologia em modelos de nicho e uso controlado antes de escalar para volumes maiores.

De acordo com o cronograma divulgado, 2026 será o ano da operação piloto, com os primeiros veículos equipados com baterias sólidas destinados a frotas específicas, como transporte por aplicativo e locação. A ideia é coletar dados reais de desempenho, degradação e confiabilidade. A produção em larga escala, por sua vez, ficaria para 2027, se os testes confirmarem a viabilidade técnica e econômica.

É justamente aí que mora a principal incógnita. Especialistas do setor, inclusive na própria China, alertam que as baterias de estado sólido ainda enfrentam desafios importantes, como custo elevado, complexidade industrial e dificuldade de produção em grande escala. O preço por kWh tende a ser significativamente mais alto do que o das baterias de íons de lítio atuais, ao menos nos primeiros anos.

Ainda assim, o movimento da Chery reforça uma percepção que vem ganhando força: o ciclo 2026-2027 pode ser decisivo para definir se as baterias sólidas finalmente sairão do discurso para as ruas. Mesmo que os 1.500 km do Liefeng permaneçam, por enquanto, no campo das promessas, o simples fato de haver produção piloto programada já marca uma mudança de patamar na indústria.

Para o mercado global - e também para o Brasil, onde a Chery atua com força por meio da Caoa Chery - o recado é claro: a próxima grande batalha dos elétricos não será apenas por preço ou carregamento rápido, mas por quem dominar primeiro a próxima geração de baterias.

Fonte: InsideEvs