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Economia

Venezuela representa só 0,24% das exportações brasileiras

Açúcar de cana e milho lideram pauta de exportação para Caracas, enquanto fertilizantes e metanol são os principais itens na mão oposta

07/01/2026 15h12

Foto: Divulgação

Enquanto o Brasil fornece uma diversidade de produtos alimentícios para a Venezuela, o país vende aos brasileiros sobretudo insumos para a indústria e para o setor de energia, apontam dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O país que teve o seu presidente capturado pelos Estados Unidos representou apenas 0,24% das exportações brasileiras e 0,12% das importações em 2025.

“Nós tivemos em 2025 uma exportação para Venezuela de US$ 838 milhões. Não chega a US$ 1 bilhão”, destacou o vice-presidente e chefe do MDIC, Geraldo Alckmin.

Ao todo, a corrente de comércio internacional brasileira somou US$ 629 bi em 2025.

Desde 2023, o Brasil registra uma redução significativa do comércio bilateral com a Venezuela, culminando em mínimos históricos entre 2019 e 2020. Após uma leve recuperação entre 2021 e 2024, o intercâmbio comercial permaneceu ainda distante dos picos históricos. Em 2025, os dados mostram uma nova retração no fluxo.

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Especialistas do mercado financeiro ouvidos pela IstoÉ Dinheiro concordam com o vice-presidente sobre o baixo impacto da crise venezuelana na balança comercial brasileira. Apontam que uma interrupção total do fluxo comercial entre os países é improvável e que, ainda que ocorresse, o impacto seria facilmente superado.

“Uma interrupção total é improvável. O cenário mais provável é fragmentação seletiva do comércio, com aumento de fricções financeiras e logísticas, queda parcial de volumes e redirecionamento de rotas”, comenta o analista Gerson Brilhante, da Levante Inside Corp.

“A interrupção afetaria principalmente cadeias de energia e insumos industriais (derivados de petróleo, química básica, fertilizantes e alumínio), elevando custos regionais sem impacto relevante sobre a oferta global”.

Analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima aponta setores do agronegócio, indústria química, construção civil, siderurgia e segmentos de energia como os mais afetados. “Apesar desse risco, o cenário atual sugere mais um ambiente de cautela do que uma ruptura iminente”, analisa. “Para a economia brasileira como um todo, o efeito tende a ser concentrado e setorial, sem caráter sistêmico.”

“O risco precisa ser monitorado, especialmente por setores que trabalham com margens apertadas e elevada dependência de insumos importados, mas, neste momento, o cenário mais provável é o de continuidade com eventuais ajustes, e não de colapso completo das relações comerciais”, acrescenta Lima.

Fonte: IstoÉ Dinheiro