05/05/2026 08h48
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A Copa do Mundo de 2026 já produz efeitos concretos sobre o mercado de trabalho brasileiro, mesmo sendo realizada fora do país. Em meio a um cenário de crescimento moderado, o evento tem impulsionado a abertura de vagas temporárias, sobretudo nos setores de logística e varejo.
Os dados mais recentes do Novo Caged reforçam esse movimento. No primeiro trimestre de 2026, o trabalho temporário registrou 279.563 admissões e 259.744 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 19.819 postos de trabalho no país. O desempenho evidencia a força dessa modalidade como resposta rápida às demandas sazonais e ao aumento do consumo.
O mercado de trabalho temporário no Brasil iniciou o ano com forte tração e, segundo a Asserttem, a previsão é de mais de 600 mil vagas temporárias no primeiro semestre, sendo entre 150 mil e 200 mil diretamente associadas ao chamado “efeito Copa”, especialmente em cadeias como eletroeletrônicos, bebidas e eventos.
Levantamento da Mendes Talent aponta que, desde o início de 2026, foram 1.485 vagas trabalhadas na área de logística, com foco em operações ligadas à Copa. Apenas na semana atual, já foram abertas 404 novas posições, e a projeção é de mais 2.800 a 4.000 vagas adicionais até o início do torneio, concentradas principalmente em atividades operacionais.
Diferentemente de edições anteriores, o pico de contratações ocorreu entre março e abril deste ano, em um movimento de antecipação para viabilizar o treinamento de equipes em tecnologias de atendimento e automação.
Centros de distribuição
A maior parte das oportunidades está em regiões com forte presença de centros de distribuição. O polo de Extrema (MG), Cajamar e Jundiaí (SP), além de cidades do entorno, como Vargem, Itapeva, Piracaia, Atibaia e Bragança Paulista, têm se destacado como eixos de expansão das contratações temporárias, refletindo o avanço da logística no Sudeste. No varejo, por sua vez, as admissões se concentram principalmente nas grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Os dados do Caged mostram que o setor de serviços lidera a geração de vagas temporárias, com saldo de 19.462 postos no trimestre, concentrando a maior parte das contratações. Na sequência aparecem indústria (176 vagas), comércio (20) e construção (48), evidenciando que a demanda está fortemente ligada a atividades operacionais, logística e atendimento.
Segundo Renato Mendes, CEO da empresa, a demanda é puxada pela necessidade de reforçar estoques e garantir eficiência operacional. “Há um aumento consistente na busca por profissionais temporários, principalmente em logística, que hoje é um dos pilares para sustentar o consumo durante a Copa”, afirma.

Renato Mendes, CEO Mendes Talent - Foto: Divulgação
O movimento também evidencia a descentralização das oportunidades, com avanço para cidades de médio porte, ainda que Sudeste e Sul concentrem mais de 60% das vagas abertas no início do ano, consolidando sua posição como principais eixos de geração de trabalho temporário.
Consumo impulsiona contratações e reforça papel do temporário
Pesquisa da Data-Makers, realizada com mil brasileiros, indica que 95% dos fãs de esporte pretendem assistir à Copa, e oito em cada dez devem acompanhar o torneio com intensidade igual ou superior à edição anterior.
O estudo também mostra que 71% dos consumidores afirmam consumir mais produtos e serviços durante a Copa, com destaque para alimentos, bebidas e vestuário. Esse comportamento pressiona a cadeia produtiva e amplia a necessidade de reforço operacional em áreas como estoque, transporte e atendimento.
Para Renato Mendes, o ciclo de 2026 reforça uma mudança estrutural no mercado de trabalho. “O temporário deixou de ser apenas uma solução emergencial e passou a integrar a estratégia das empresas, com mais planejamento e uso de dados”, diz.
O cenário também expõe desafios na contratação. Há dificuldade de preenchimento de vagas operacionais, especialmente em logística, diante da maior complexidade das operações e da disputa por profissionais. Soma-se a isso o desafio de retenção nesses projetos.
Embora o Brasil não seja sede do torneio, o impacto indireto da Copa sobre o consumo interno e a atividade econômica tem se mostrado relevante. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo indicam que o setor de comércio e serviços responde por mais de 40% do PIB nacional, ampliando o efeito multiplicador de eventos de grande apelo popular.
Além disso, parte das vagas abertas neste ciclo reflete a antecipação de demandas típicas do fim do ano, puxadas para o primeiro semestre pelo calendário da Copa.
Nesse contexto, a Copa de 2026 se consolida como vetor de dinamização do emprego — especialmente temporário — ao mesmo tempo em que acelera tendências como a interiorização das vagas e a profissionalização da gestão de mão de obra.