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Logística

TIR pode reduzir custos logísticos em Corredor Bioceânico

A rota de mais de 2,39 mil quilômetros conecta os portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, ao Porto de Santos, no Brasil

14/03/2026 08h34

Foto: Divulgação

Um levantamento da Infra S.A. apontou que a implementação da Convenção de Transportes Internacionais Rodoviários (TIR) no Corredor Bioceânico pode gerar uma redução de até 30% nos custos logísticos no trecho rodoviário. A rota de mais de 2,39 mil quilômetros conecta os portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, ao Porto de Santos, no Brasil, passando por Paraguai e Argentina.

Segundo a estatal, o sistema internacional de trânsito aduaneiro pode reduzir inspeções nas fronteiras e aumentar a previsibilidade do transporte. Para a coordenadora de Projetos Especiais da Infra S.A., Elaine Radel, o estudo demonstra como o TRI pode aumentar a competitividade do mercado brasileiro e sul-americano no exterior.

“O Corredor Bioceânico é uma das principais iniciativas em desenvolvimento para a integração logística da América do Sul. Mas para que essa rota alcance seu pleno potencial, é essencial avançar não apenas em obras de infraestrutura, mas também na harmonização dos procedimentos aduaneiros e na modernização dos processos internacionais de trânsito de cargas”, destacou.

De acordo com a empresa, o sistema possibilita que as cargas — como carnes processadas, soja e fertilizantes — sejam abertas no local de destino, dispensando inspeções em cada país ao longo do trajeto. A implementação também inclui o uso de um documento único, que substitui os documentos nacionais de trânsito aduaneiro, além de uma garantia internacional de tributos.

“Com uma garantia internacional única e o reconhecimento mútuo dos controles realizados na origem, o sistema reduz inspeções repetidas nas fronteiras e torna o fluxo de mercadorias mais ágil e competitivo”, afirmou Elaine.

Segundo estimativas publicadas pela Forbes, o Corredor Bioceânico de Capricórnio poderá transportar mais de 8,6 milhões de toneladas de produtos por ano.

Impacto do TIR na logística brasileira

O diretor de Desenvolvimento de Trânsito e TIR da União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU), Lucas Lagier, declarou que o sistema já demonstrou resultados positivos em diferentes regiões do mundo.

“O TIR reduz o tempo de transporte, aumenta a segurança das operações e diminui custos logísticos. Ao reduzir o tempo de espera nas fronteiras, o custo do frete diminui e os produtos se tornam mais competitivos no comércio internacional”, disse.

Recentemente, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a adesão do Brasil à Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR.

O sistema de trânsito de cargas é baseado em convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) assinada em 1949 e atualizada em 1975. De acordo com a organização, mais de 30 mil operadores estão autorizados a usar o sistema TIR e cerca de um milhão de transportes TIR são realizados por ano.

Com a adesão, o Brasil se torna o 79º Estado Parte a nível mundial no acordo da ONU. Em comunicado, a secretária executiva da Unece, Tatiana Molcean, afirmou que “a adesão do Brasil à Convenção TIR trará múltiplos benefícios”. O sistema pode reduzir os tempos de transporte transfronteiriço em até 92% e os custos em até 50%.

Em comunicado oficial, o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, afirmou que a conquista representa um divisor de águas para o setor. “A ratificação da Convenção TIR é uma conquista histórica para o Transporte Rodoviário de Cargas e para o Brasil. Trata-se de um trabalho construído ao longo de muitos anos, por diversas gestões da NTC&Logística, sempre com diálogo institucional, consistência técnica e visão de futuro”, enfatizou.

Segundo Rebuzzi, “esse avanço posiciona o país em um novo patamar de integração logística internacional, trazendo ganhos concretos de competitividade, eficiência e segurança para as empresas brasileiras.”