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Gestão

Terminal da Cargill em Santarém segue fechado em meio a protestos

Manifestantes indígenas continuam a ocupar as instalações em protesto contra os planos de dragagem dos rios

23/02/2026 10h59

Foto: Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns - Divulgação

As operações no terminal portuário da Cargill em Santarém, no Pará, permanecem paralisadas na manhã desta segunda-feira (23), já que manifestantes indígenas continuam a ocupar as instalações, informou a assessoria de imprensa da trading norte-americana de grãos.

Os manifestantes forçaram os funcionários da Cargill a evacuar o terminal privado na sexta-feira (20), aumentando as tensões entre os grupos locais e a empresa devido aos planos de dragagem dos rios por onde grãos como soja e milho são transportados antes de chegarem aos mercados de exportação.

No domingo (22), o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou a suspensão da licitação de dragagem e uma série de medidas administrativas em resposta à invasão do terminal portuário fluvial da Cargill, ocorrida na madrugada de sábado (21).

Entenda os protestos

Para os indígenas do Conselho Tapajós e Arapiuns (Cita), a licitação de dragagem representa ameaça ao modo de vida das comunidades que habitam as margens do Tapajós. O grupo iniciou os bloqueios ao acesso de veículos ao terminal da Cargill em 22 de janeiro e, ao longo das semanas seguintes, chegou a interceptar balsas no rio. Após 30 dias sem resposta do governo federal, o conselho escalou os protestos e ocupou as instalações da multinacional.

Na noite de sexta-feira (20), antes da invasão ao terminal, manifestantes vandalizaram a fachada do escritório central da Cargill em São Paulo. A multinacional informou que as operações no terminal foram “completamente interrompidas” após a ocupação e que há “fortes evidências de vandalismo e danos a ativos”. O terminal movimentou mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho em 2025, volume que representou mais de 70% de todos os grãos embarcados no porto paraense, segundo dados do setor portuário.

A Cargill acionou a Justiça Federal para retirar os manifestantes do interior do terminal, mas a Subseção Judiciária de Santarém negou analisar o pedido em regime de plantão. O Ministério Público Federal (MPF) também contestou intimação feita aos indígenas para desocupar a área em 48 horas, classificando o ato como irregular por ter sido realizado “de maneira genérica, por meio do uso de megafone a dez metros de distância do acampamento, sem a identificação ou notificação pessoal dos indígenas”.

O MPor afirmou que “é fundamental que o diálogo seja mantido para que se alcancem soluções”. Para os indígenas, as obras de dragagem podem afetar a qualidade da água e a pesca no Tapajós, segundo declarações do Cita em nota divulgada após a ocupação.

Fonte: Reuters