26/02/2026 07h55
Portocel - Espírito Santo - Foto: Divulgação
A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) apresentou para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) um estudo inédito sobre o cenário atual dos terminais autorizados no Brasil, revelando o papel estratégico desses empreendimentos para a logística nacional e para o desenvolvimento econômico regional.
Segundo o levantamento, os terminais autorizados já respondem por 64,6% de toda a movimentação portuária do país. Os Terminais de Uso Privado (TUP) avançaram 7% em 2025, movimentando 906,1 milhões de toneladas. No transporte interior, 78,8% da movimentação em rios é realizada por terminais autorizados.
A evolução ao longo dos últimos 15 anos reforça a consolidação do modelo. Entre 2010 e 2025, a movimentação desses terminais em águas interiores cresceu 210%. Atualmente, cerca de dois terços dos terminais privados são autorizados para realizar movimentação por via marítima, enquanto aproximadamente um terço opera por águas interiores. Em volume, os terminais autorizados em vias interiores movimentaram 72 milhões de toneladas, frente a 19,3 milhões movimentadas pelos portos organizados no período analisado.
O estudo também evidencia o impacto positivo dos terminais no desenvolvimento regional. Em Aracruz (ES), por exemplo, o PIB per capita saltou de aproximadamente R$ 1 mil para mais de R$ 15 mil após a implantação da Portocel. Em Santa Catarina, Navegantes subiu da 23ª para a 15ª posição no ranking estadual de PIB após a instalação da Portonave. Já o Porto Itapoá gerou impacto superior a R$ 16 bilhões no PIB da região.
Atualmente, o Brasil conta com 287 terminais autorizados, dos quais 221 estão em operação. Apesar dos resultados expressivos, o estudo alerta para gargalos que ainda afetam o setor, especialmente atrasos em processos de licenciamento ambiental. Entre as principais causas estão: judicializações, morosidade administrativa — inclusive junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) —, invasões de áreas e os efeitos da pandemia de covid-19.
Para o presidente da ATP, Murillo Barbosa, os números demonstram a maturidade do modelo e sua contribuição direta para o crescimento do país. "Os terminais autorizados são hoje pilares da logística brasileira. Além de ampliarem a capacidade operacional, eles geram desenvolvimento local, atraem investimentos e aumentam a competitividade do Brasil. Superar gargalos regulatórios e de licenciamento é essencial para que o setor continue crescendo e entregando benefícios econômicos e sociais", afirma.
Para a ATP, os dados reforçam que a ampliação e a modernização dos terminais autorizados são fundamentais para a competitividade logística do país, além de funcionarem como vetores de geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.
Crescimento em diferentes cargas em 2025
Segundo dados da ATP, o aumento de 7% na movimentação de cargas dos TUP em 2025 foi puxado por granel sólido (538,1 milhões de toneladas, com crescimento de 7,19% sobre o ano anterior), granel líquido e gasoso (271,7 milhões de toneladas, alta de 7,87%) e carga conteinerizada (56,9 milhões de toneladas; avanço de 6,09%).
No ano passado, as cargas que registram os cinco maiores avanços foram cimento (50,80%), coque de petróleo (42,38%), adubos (fertilizantes), com alta de 25,86%, soja (18,33%) e óleo de soja (17,95%).
No ranking dos terminais autorizados, estão no TOP 3 de maior crescimento em 2025: o TUP Vetorial Logística (MS), com crescimento de 380,2%; a ATEM (Belém-Pará), com um avanço de 332,1% sobre 2024; e o Terminal da Granel Química Ladário (MS), que apresentou um aumento de 274%.