17/01/2026 07h58
Foto: Prologis - Divulgação
Baixa taxa de vacância, crescimento acelerado de aluguéis e ocupações de galpões logísticos pelo e-commerce. Esses são algumas das previsões da Prologis para 2026 no relatório “Bold Predictions for 2026: Supply Chain Trends to Watch”, que reúne sete tendências macroeconômicas e setoriais que deverão moldar as cadeias de suprimentos e a ocupação de imóveis logísticos nesse ano.
De acordo com a líder global em desenvolvimento e administração de galpões logísticos, a análise foi responsável por seis das sete previsões acertadas em 2025, reforçando a capacidade de antecipação do mercado da Prologis.
Para o Brasil, o relatório destacou que o mercado nacional segue em trajetória de fortalecimento e destaque entre os países emergentes. Em relação à vacância, a Prologis apontou para a continuidade da queda. São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, registram cerca de 8,5% de vacância, com tendência de redução por conta da forte absorção.
“A concorrência por estoques modernos cada vez mais escassos elevará o valor dos produtos existentes e será uma vantagem chave para desenvolvedores capazes de navegar no mercado brasileiro”, apontou a pesquisa.
Tendências para o brasil
Além disso, o relatório prevê uma oferta restrita, já que o pipeline de novos galpões modernos permanece limitado, criando um cenário de competição por ativos de qualidade. Isso pode também causar um crescimento acelerado de aluguéis.
Segundo a Prologi, o Brasil pode registrar um crescimento de dois dígitos nos aluguéis logísticos em 2026 pelo quarto ano consecutivo, impulsionado pela escassez de estoque moderno e pelo avanço estrutural do comércio eletrônico.
Dessa forma, também haverá uma valorização dos ativos existentes graças a combinação de alta demanda e pouca oferta, o que valoriza naturalmente os imóveis já instalados e beneficia operadores de larga escala.
No ano passado, a empresa acertou que o crescimento dos aluguéis imobiliários logísticos no Brasil ultrapassaria a média global em mais de 500 pontos-base. De acordo com o relatório, o crescimento dos aluguéis no Brasil em 2025 foi estimado em 11,5%, comparado com a queda de 4,6% nos mercados globais, já que a demanda por comércio eletrônico no Brasil permanece robusta. A taxa de vacância caiu para 8,5% no terceiro trimestre de 2025 — o nível mais baixo em mais de uma década.
Mercado global de imóveis logísticos
Para além de pontos de atenção no mercado brasileiro, a Prologis também elencou as sete tendências globais que devem guiar a logística em 2026. A Prologis projetou que a Europa também reduzirá sua taxa de vacância para abaixo de 5%. Na Índia, movimentos de modernização e entrada de capital institucional devem impulsionar uma nova onda de desenvolvimento e ocupação.
A empresa prevê que mercados porta de entrada nos EUA terão demanda mais alta em três anos Regiões estratégicas como Inland Empire, na Califórnia, e a região de Nova Jersey devem observar forte absorção de galpões modernos, impulsionada por empresas que buscam aproximar estoques dos centros de consumo e reduzir custos logísticos.
Ainda nos Estados Unidos, a utilização de armazéns deverá alcançar patamar expansivo. Segundo o relatório, a taxa de utilização logística seguirá em alta e deve atingir o “nível expansivo”, que simboliza quando os ocupantes esgotam sua capacidade atual e iniciam um ciclo mais agressivo de novos contratos. Esse movimento tende a pressionar a oferta e acelerar novos desenvolvimentos.
O e-commerce é outra grande tendência do setor, já que será responsável por quase 25% das novas locações Com o avanço das vendas digitais, que devem atingir cerca de 20% da participação global, empresas do comércio eletrônico devem liderar o crescimento da ocupação logística, reforçando a necessidade de imóveis modernos e bem localizados.
“Grandes players internacionais como a Amazon continuam a se expandir pela Europa, e o Mercado Libre mantém sua liderança na América Latina. Na Índia, Flipkart e Walmart estão aumentando sua capacidade de distribuição para atender à crescente demanda doméstica e de exportação”, destacou a pesquisa.
Já nos EUA, o modelo está evoluindo com empresas de comércio eletrônico adotando estratégias híbridas envolvendo posicionamento de estoques em terra, cross-docking marítimo e logístico regional.
Outro comportamento que pode se esperar do setor em 2026 é o crescimento das instalações power-ready. De acordo com o relatório, a disponibilidade de energia passa a integrar o top 3 dos fatores mais determinantes na escolha de novas instalações pelas empresas.
As operações automatizadas e soluções avançadas de manufatura demandam até cinco vezes mais energia que a base de 2024, elevando a importância de parques logísticos preparados para alta demanda elétrica.
A Prologis também apontou que a demanda ligada à defesa deve impulsionar corredores industriais nos EUA e Europa. O crescimento dos investimentos em defesa deve reativar regiões industriais maduras e estimular a criação de uma nova categoria de ativos logísticos especializados.
Para finalizar, o relatório apontou que a capacidade de transporte rodoviário continuará encolhendo nos Estados Unidos. A diminuição estrutural da oferta de caminhoneiros e transportadoras, somada a regulamentações mais rígidas, deve resultar em aumentos de frete de dois dígitos em 2026.