07/05/2026 07h29
Foto: Tomaz Silva - Agência Brasil
O transporte de passageiros sobre trilhos precisa ter uma governança metropolitana para que os projetos sejam implantados e se desenvolvam, sem dependerem do interesse de um ou outro governante.
A afirmação é de Ana Patrizia Lira, diretora-presidente da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), que reúne 22 sistemas em operação, em 13 regiões metropolitanas e em duas regiões integradas de desenvolvimento.
Ou seja, todo o sistema metroferroviário atuando no país —metrôs, trens, VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) e monotrilho— está em locais com grande concentração populacional.
“Vemos que, quando muda de um ano para o outro, de um governo para outro, eles refazem as prioridades. E sabe por que isso acontece? Porque está na mão de apenas um decidir. Se a gente tivesse uma autoridade metropolitana em que numa mesma mesa estivessem os prefeitos, o governador, a sociedade civil, seria bem diferente, porque o planejamento seria feito com base na decisão desse grupo e quando você tem um grupo assim, você não consegue alterar com facilidade”, afirmou.
No caso do transporte metroferroviário, os projetos, da concepção à entrega, transcendem os mandatos de quatro anos de prefeitos, governadores e do presidente da República. É normal projetos terem, por exemplo, dez anos como prazo de conclusão —fora os atrasos que tornaram-se comuns em obras do tipo.
“Quando a gente está falando nos trilhos, são projetos de longo prazo para construir. E quando você tem uma autoridade metropolitana, uma governança integrada para valer, você consegue trazer essa segurança jurídica, esse olhar de longo prazo e, por exemplo, falar de integração. É importante que tenha essa visão de Estado e não de governo.”
Os trens urbanos representam 46,8% dos trilhos urbanos, com um total de 536,1 quilômetros, seguidos por metrôs, com 27,1%, ou 310,8 quilômetros. Os VLTs somam 283,4 quilômetros, e representam 24,8% do total, enquanto os 14,5 quilômetros de monotrilho equivalem a 1,3% do total.
São, no total, 1.144,7 quilômetros de trilhos, dos quais somente 7,2 quilômetros foram colocados em funcionamento no intervalo de um ano.
No país, operam regularmente 49 linhas nesses sistemas, distribuídos em 11 estados e no Distrito Federal, que abrigam 49,8 milhões de habitantes, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em 2025, foram transportados 2,59 bilhões de passageiros sobre trilhos, ligeiro crescimento de 0,8% em comparação com o ano anterior.
Fonte: Folha de S. Paulo