14/03/2026 09h00
Foto: MIDR - Divulgação
Com mais de 1.200 quilômetros de extensão e passagem prevista por 53 municípios, a Ferrovia Transnordestina avança como uma das maiores obras de infraestrutura logística em execução no Brasil.
O projeto, que liga o interior do Nordeste ao litoral do Ceará, deve alterar o escoamento de cargas na região ao conectar áreas produtoras ao Porto do Pecém.
A ferrovia integra a carteira de investimentos do Novo PAC e tem cerca de 80% das obras concluídas. O investimento total estimado é de R$ 14,9 bilhões. Até agora, R$ 11,3 bilhões já foram aplicados na construção da primeira etapa.
O traçado principal terá 1.206 quilômetros de extensão, além de 73 quilômetros em ramais secundários.
A ferrovia vai ligar o município de Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará. Ao todo, o projeto envolve 53 cidades distribuídas entre três estados do Nordeste.
Do total de municípios atendidos, 28 estão no Ceará, 18 no Piauí e sete em Pernambuco. No território cearense, a ferrovia terá 608 quilômetros de extensão.
Para acompanhar o andamento das obras, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, realizou vistoria nos lotes 9 e 10 da ferrovia, no Ceará.
Esses trechos são considerados importantes para a conclusão da primeira fase do empreendimento, que conecta o Piauí ao litoral cearense.
Em dezembro, o governo federal liberou R$ 2 bilhões por meio do Novo PAC para a continuidade das obras nesses trechos.
Com a liberação dos recursos, todos os lotes da ferrovia no Ceará passaram a ter autorização para execução.
O trecho vistoriado possui 97 quilômetros e atravessa os municípios de Baturité, Aracoiaba, Redenção, Acarape, Guaiúba, Palmácia, Maranguape e Caucaia.
De acordo com o governo do Ceará, a ferrovia terá papel relevante na integração da produção regional aos mercados internacionais.
O projeto deve conectar regiões produtoras de grãos e minérios ao Porto do Pecém, ampliando a capacidade de transporte de cargas.
Testes e inauguração
A Transnordestina também começou a realizar testes operacionais para preparar o início das atividades. Neste mês, a concessionária Transnordestina Logística S.A. realizou o segundo teste de transporte de cargas pela ferrovia.
Durante a operação, foram transportadas 946,12 toneladas de sorgo entre o Terminal Intermodal do Piauí, em Eliseu Martins, e o Terminal Logístico de Iguatu, no Ceará. O percurso foi concluído em 16 horas e 34 minutos.
Os testes começaram em dezembro de 2025 com o transporte de produtos agrícolas. Nas próximas etapas, a previsão é ampliar as operações para outros tipos de carga.
A ferrovia também deve alterar o fluxo logístico do Nordeste ao facilitar o escoamento da produção agrícola da região conhecida como Matopiba, que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A expectativa é reduzir custos de transporte e ampliar a competitividade de produtos brasileiros no mercado internacional.
Segundo o Ministério dos Transportes, a ampliação da malha ferroviária é considerada estratégica para o crescimento econômico.
A implantação de novas ferrovias tende a atrair terminais de carga, centros logísticos e outras atividades econômicas nas regiões por onde os trilhos passam.
Fonte: Gazeta de S.Paulo