28/04/2026 15h20
Foto: Divulgação
O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz atravessa um dos seus períodos mais críticos em anos, com uma queda acentuada no número de navios mercantes em meio às tensões entre o Irã e os Estados Unidos. Dados recentes mostram que a hidrovia, crucial para o transporte global de hidrocarbonetos, permanece praticamente vazia após uma semana marcada por incidentes militares e restrições operacionais.
Segundo informações da Bloomberg durante o fim de semana, “o estreito permaneceu praticamente vazio de navios mercantes”, com apenas “dois pequenos petroleiros e uma minúscula embarcação costeira, todos ligados a Teerã”, a passar por ali, enquanto nenhum navio foi observado a entrar no Golfo Pérsico. Este cenário reflete uma deterioração significativa no fluxo normal do tráfego marítimo num dos “pontos de estrangulamento” mais estratégicos do mundo.
A situação é agravada pelo acúmulo de petroleiros iranianos carregados com milhões de barris de petróleo bruto, que enfrentam dificuldades para deixar a região. A Marinha dos EUA interceptou várias dessas embarcações perto da fronteira marítima com o Paquistão, criando um gargalo logístico que complica as exportações da República Islâmica.
Entretanto, Teerã reforçou seu controle sobre o estreito, restringindo o tráfego a uma estreita faixa ao norte, perto das ilhas iranianas de Larak e Qeshm, ao longo de rotas aprovadas por suas autoridades. Isso é agravado pelo uso cada vez mais frequente de táticas de ocultação por embarcações ligadas ao Irã, que desligam seus Sistemas de Identificação Automática (AIS) para evitar a detecção, dificultando ainda mais o rastreamento do tráfego real.
Mesmo antes do endurecimento das restrições americanas, era comum que essas embarcações parassem de transmitir sua posição ao entrar no estreito e só reativassem seus sinais ao chegar a áreas distantes como o Estreito de Malaca, mais de dez dias após partirem do Golfo Pérsico. Esse comportamento, juntamente com possíveis interferências eletrônicas — conhecidas como spoofing — introduz incertezas na medição precisa dos fluxos marítimos.
Nenhum progresso diplomático
As tensões geopolíticas também se intensificaram na frente diplomática. Embora o Irã mantenha uma posição firme na região, os esforços para alcançar uma solução negociada não obtiveram avanços concretos. Nesse contexto, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o presidente dos EUA, Donald Trump, conversaram por telefone e concordaram sobre a urgência de restabelecer o tráfego marítimo.
“Os líderes discutiram a necessidade urgente de revitalizar a navegação no Estreito de Ormuz, dadas as graves consequências para a economia global e o custo de vida”, disse um porta-voz de Downing Street. Também foi mencionado que o governo britânico, juntamente com o presidente francês Emmanuel Macron, está promovendo uma iniciativa destinada a “restaurar a liberdade de navegação” na região.
A deterioração do tráfego no Estreito de Ormuz não afeta apenas os países diretamente envolvidos, mas também tem implicações globais, especialmente para os mercados de energia. A persistência dessa situação pode levar a custos logísticos mais elevados, volatilidade nos preços do petróleo e novas interrupções nas cadeias de abastecimento internacionais.
Fonte: Mundo Marítimo