29/11/2025 10h50
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As empresas estatais federais acumulam déficit de R$ 6,34 bilhões entre janeiro e outubro de 2025, revela o relatório de Estatísticas Fiscais divulgado pelo Banco Central (BC). O montante representa 0,06% do PIB do país. Se considerado apenas o mês de outubro, o déficit foi de R$ 149 milhões.
No mesmo período de 2024, o déficit era de R$ 4,4 bilhões. E em 2023 de R$ 286 milhões.
No caso das estatais estaduais, o déficit é de R$ 694 milhões neste ano. E das municipais de R$ 399 milhões.
Dívida bruta
A dívida bruta do Brasil registrou alta em outubro, quando o setor público consolidado brasileiro apresentou superávit primário abaixo do esperado. A dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou outubro em 78,6%, contra 78,1% no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público foi a 65,0%, de 64,8%.
No mês de outubro, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 32,4 bilhões, ante superávit de R$ 36,9 bilhões no mesmo mês de 2024. Houve superávit de R$ 36,2 bilhões no Governo Central e déficits de R$ 3,6 bilhões nos governos regionais.
Correios “muito ruim”
A situação dos Correios é muito ruim e gerou impacto negativo no relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, que faz acompanhamento das contas do governo, disse nesta segunda-feira o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan.
Em entrevista à imprensa, Durigan afirmou que a estatal tem problemas graves a serem tratados, ressaltando que o plano de recuperação a ser implementado pela companhia pode gerar um impacto fiscal em 2026 ainda maior do que o previsto para este ano.
O relatório fiscal da equipe econômica indicou na sexta-feira uma redução na contenção de gastos dos ministérios para cumprir regras fiscais de R$ 12,1 bilhões para R$ 7,7 bilhões, mas apontou um aumento na projeção de déficit fiscal no ano.
O documento cita que a projeção de déficit aumentou principalmente por impacto do resultado financeiro dos Correios, que vem registrando prejuízo, levando a uma necessidade de compensação pelo Tesouro Nacional.
“A empresa de fato tem problemas graves, problemas estruturais que devem ser endereçados nesse plano de reestruturação, e isso possivelmente pode trazer um impacto fiscal ainda maior para 2026, eu não tenho número fechado”, disse.
Durigan disse que entre as alternativas para dar fôlego aos Correios, está em discussão uma operação de crédito com garantia do Tesouro. Ele destacou que não está na mesa um aporte direto do governo para a recuperação da estatal.
O secretário afirmou ainda que o governo caminha para cumprir a meta fiscal de déficit fiscal zero de 2025, que tem uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB).
Para 2026, que tem uma meta de superávit de 0,25% do PIB com a mesma tolerância, Durigan disse que o governo tem o desafio de aprovar no Congresso Nacional medidas já em tramitação, com impacto de R$ 30 bilhões no próximo ano, incluindo tributação de apostas online e de instituições financeiras e uma revisão de renúncias tributárias.
O secretário também afirmou que o novo relatório não abre espaço fiscal relevante porque o governo usou parte da margem aberta no orçamento para compensar o resultado das estatais.
O secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Gustavo Guimarães, acrescentou que parte dos recursos discricionários liberados já foram cancelados e consumidos por despesas obrigatórias. Segundo ele, a margem aberta nas contas deste ano após essas deduções será de R$ 644 milhões.
Fonte: Reuters