02/11/2026 09h27
Foto: Cantu - Divulgação
Dos portos à instalação nos veículos, a Cantu Inc., holding que agrupa as marcas Speedmax, Gripmaster e Pneustore, opera uma estrutura que movimentou cerca de 8,2 milhões de pneus nos últimos 12 meses e realiza entre 150 mil e 170 mil entregas por mês. A rede logística é sustentada por sete centros de distribuição no Brasil, 111 filiais de atacado e 112 lojas.
Essa cadeia chega a uma etapa que o e-commerce sozinho não entregava: a experiência do cliente até o pneu estar no veículo. A instalação como diferencial logístico ganhou força em 2024, quando o grupo anunciou a compra da GP Pneus por mais de R$ 1 bilhão, segundo o Brazil Journal.
Para o COO da Cantu Inc., Felipe Moblize, as lojas da GP Pneus foram a motivação por trás da aquisição. “O grande motivo da compra foi a rede de lojas que eles tinham, a maior do Brasil, com 112 lojas”, afirmou.
Antes, segundo o executivo, o cliente comprava no site e mandava entregar numa loja de terceiros, e a empresa “não tinha domínio da experiência”. Hoje, as lojas e o e-commerce operam sob a marca Pneustore, e o atacado da GP está sob a Gripmaster.
O modelo atual funciona da seguinte forma: o cliente compra no site e escolhe receber o pneu na loja da Pneustore ou em um dos mais de quatro mil pontos homologados, onde já fica agendado para a entrega, a montagem, o alinhamento e o balanceamento. Todos esses passos são realizados de modo online.
Além disso, a empresa mantém operações internacionais por meio da Pneustore México e da Speedmax México, além da Speedmax USA, que atua no segmento de pneus para caminhões nos Estados Unidos. A empresa também mantém CDs internacionais em Guadalajara, no México, e nos estados norte-americanos da Geórgia, Connecticut e Nova Jersey.
Do navio ao varejo
No entanto, para entender como os pneus chegam até os veículos, é preciso fazer um caminho contrário, que começa nos navios. De acordo com o Moblize, cerca de 80% dos produtos chegam por importação marítima, com fornecedores em cerca de oito países, como Vietnã, China e Paquistão. O portfólio do grupo conta com mais de 3 mil SKUs de marca própria, desenvolvidos em conjunto com os fabricantes.
Os produtos são encaminhados aos centros de distribuição da empresa localizados em Itupeva (SP), Jaboatão dos Guararapes (PE), Itajaí (SC), Contagem (MG), Gravataí (RS) e Serra (ES), além da estrutura no Rio de Janeiro (RJ). Em Itajaí, o complexo conta com dois armazéns e um pátio logístico.
Dos armazéns da Cantu Inc., os pneus seguem para as filiais e lojas conforme a política de estoque de cada canal. No varejo, a operação é mais pulverizada, com menor volume de itens por unidade e maior variedade de SKUs.
Para melhorar o abastecimento, a empresa vem ampliando a disponibilidade de produtos nas lojas. A distribuição para essa rede conta com uma frota de 72 veículos próprios, complementada por transportadoras terceirizadas.
De acordo com Moblize, as transportadoras precisam se adequar ao nível de serviço da companhia, com integração de dados, rastreamento das entregas (tracking), informações precisas e índices elevados de entrega no prazo (OTD) ou completa e no prazo (OTIF).
Diferenciais competitivos
Na visão de Moblize, o que separa a Cantu Inc. dos concorrentes é um conjunto de fatores, e o primeiro deles é o entendimento do cliente. “O nosso core business é ser uma empresa de venda que conhece muito bem cada tipo de cliente. Então toda a estratégia de Supply Chain parte da premissa do entendimento do cliente”, afirmou. É a partir dessa leitura que o grupo decide por quais canais atender cada público e que produto oferecer a ele.
A segunda frente é o portfólio. São mais de 3 mil SKUs de marca própria, como Speedmax e Gripmaster, desenvolvidos com os fabricantes a partir de especificações técnicas definidas internamente.
Outro ponto citado pelo executivo é a plataforma tecnológica própria do grupo. Segundo Moblize, todas as mudanças de sistema são feitas em casa, o que acelera as adaptações, e a Inteligência Artificial tem encurtado ainda mais esse ciclo.
A logística aparece como o quarto diferencial competitivo da companhia. Ele apontou que o grupo tem “trabalhado muito forte” nesse setor com foco em reduzir o tempo e o custo de entrega.
O diretor de Supply Chain da companhia, Leonardo Rodrigues, reforçou essa importância da logística para a operação. “Nós somos uma empresa de inovação, tecnologia e de Supply Chain, de logística”, apontou.
Na visão dele, a combinação entre tecnologia e uma malha logística adequada permite ampliar o nível de serviço sem elevar os custos na mesma proporção. “A gente [Cantu Inc.] tem uma malha que nos promove um melhor nível de serviço. A gente consegue escalar nível de serviço com o menor custo possível. Eu acho que esse é o nosso grande diferencial do mercado”, destacou.
A logística reversa também entra nessa conta. O índice global de devoluções gira em torno de 2% e o ciclo de retorno ficou mais de 50% mais eficiente, segundo Rodrigues.
Investimentos
Os resultados da empresa refletem os investimentos na ampliação da infraestrutura logística. Nos últimos três anos, o grupo destinou mais de R$ 50 milhões à expansão de armazéns. Em Itajaí (SC), principal CD da companhia, foi aberto um galpão de cerca de 35 mil m², dobrando a capacidade da unidade.
Em Itupeva (SP), que passou por expansão há dois anos, a capacidade mais que dobrou, e em Jaboatão dos Guararapes (PE) o aumento foi de cerca de 30%. Os centros de distribuição contam também com empilhadeiras elétricas.
Um dos investimentos mais recentes da empresa é a torre de controle 4.0, projeto liderado por Rodrigues. A ferramenta prevê quais pedidos vão atrasar e mostra em que etapa travaram: financeiro, expedição, administração de pedidos ou transportadora. Foi implantada no varejo em junho e agora chega ao atacado.
Fonte: MundoLogística