03/05/2026 11h33
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O setor de transporte marítimo de cargas a granel poderá apresentar crescimento limitado nos próximos anos, dependendo da evolução da situação no Estreito de Ormuz, segundo estimativas da Bimco. A análise indica que “a demanda crescerá até 1% em 2026 e entre 0,5% e 1,5% em 2027, caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por tempo indeterminado”. Em contrapartida, em um cenário de reabertura, a projeção de crescimento sobe para entre 2,5% e 3,5% em 2026 e entre 2% e 3% em 2027.
No cenário de fechamento prolongado, "prevê-se uma estagnação nos volumes de carga durante 2026 e 2027, com menor desempenho nos embarques de grãos e cargas menores, devido à sua maior dependência dessa rota", além de perspectivas de menor oferta agrícola ligada ao aumento dos preços dos fertilizantes.
As distâncias médias de transporte também variariam. Em condições de fechamento, estima-se um aumento entre 0% e 1% para 2026 e 2027, impulsionado por uma maior participação de produtos com trajetos mais longos, como minério de ferro, grãos e bauxita. Em um cenário de reabertura, o aumento seria ligeiramente maior devido ao melhor desempenho de certos fluxos de carga.
O relatório identifica fatores adicionais que podem afetar a demanda. Entre eles, um possível retorno do tráfego marítimo ao Mar Vermelho, o que reduziria as distâncias de navegação ao eliminar os desvios ao redor do Cabo da Boa Esperança. Por outro lado, “o possível início do El Niño por volta do segundo trimestre de 2026 poderia limitar as travessias pelo Canal do Panamá” devido aos níveis de água mais baixos, levando a desvios e viagens mais longas.
Detalhamento dos ativos
A Bimco prevê que os embarques de minério de ferro permanecerão estagnados em 2026 e crescerão entre 0,5% e 1,5% em 2027, num cenário em que o Estreito de Taiwan permaneça fechado. Esse desempenho seria influenciado por fatores como a evolução da demanda por aço, especialmente na China, e a expansão da oferta de países exportadores como Austrália, Brasil e nações da África Ocidental.
Em relação ao carvão, projeta-se um crescimento de até 1% em 2026 e entre 0,5% e 1,5% em 2027, caso o estreito permaneça fechado. Se for reaberto, esses números poderão diminuir. O relatório observa que “a menor disponibilidade de gás natural liquefeito pode impulsionar uma mudança para o carvão em alguns mercados”, embora a demanda em países como China e Índia tenha apresentado uma tendência de queda neste ano.
No setor de grãos, projeta-se um crescimento entre 3% e 4% em 2026, seguido por uma contração em 2027 no cenário de fechamento do estreito. Por outro lado, a reabertura do estreito poderia impulsionar o crescimento para entre 7% e 8% em 2026. Fatores como disponibilidade de fertilizantes, condições climáticas e produtividade agrícola influenciam essas projeções.
Em relação às cargas a granel de menor porte, estima-se uma queda entre 1% e 2% para 2026 caso o fechamento se mantenha, enquanto em um cenário alternativo, elas poderiam registrar um crescimento maior. Esses produtos, incluindo fertilizantes, enxofre e alumínio, são altamente vulneráveis a interrupções no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa desses fluxos.
Fonte: Mundo Marítimo