11/09/2026 09h12
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A demanda global por transporte marítimo de contêineres permaneceu forte em julho de 2026, com volumes atingindo 17,3 milhões de TEUs, o nível mais alto já registrado pelas Estatísticas de Comércio de Contêineres (CTS). Esse número superou o recorde anterior, estabelecido em maio deste ano, em aproximadamente 25.000 TEUs e representou um aumento de 4,5% em comparação com julho de 2025.
A CTS descreveu o desempenho do mercado global como "notavelmente resiliente", apesar das várias interrupções que afetaram o transporte marítimo ao longo do ano. Analisando as importações acumuladas nos primeiros sete meses, todas as regiões registraram crescimento, com exceção do subcontinente indiano e do Oriente Médio, onde os volumes diminuíram 4,2%.
A África Subsaariana apresentou alguns dos maiores ganhos, com um aumento de 14% nas importações da Ásia e de 15% nas originárias da América do Norte.
A Europa também continuou a se destacar pelo dinamismo de suas importações, que acumularam um aumento de 6,1% durante os primeiros sete meses. “Outro tema recorrente ao longo de 2026 tem sido o crescimento contínuo das importações europeias. A carga do Extremo Oriente desempenhou um papel significativo, adicionando aproximadamente 1,5 milhão de TEUs em comparação com o mesmo período do ano passado”, observou a CTS.
Crescimento desigual
O analista da indústria marítima Lars Jensen, observando os dados da CTS, alertou que por trás do crescimento global reside um aumento nos desequilíbrios entre as diferentes direções das rotas de navegação. Segundo sua análise, a demanda global medida em TEUs cresceu 4,5% em julho em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os volumes de carga de ida — correspondentes à direção principal das rotas marítimas — aumentaram 4,5%, enquanto o tráfego de contêineres em rotas intrarregionais cresceu 8,1%. Em contrapartida, os volumes de carga de retorno — remessas de retorno — diminuíram 1,7%.
A divergência torna-se ainda mais evidente ao comparar o mercado atual com o período pré-pandemia. Em comparação com julho de 2019, os volumes de transporte de ida foram 25,5% maiores em julho deste ano, enquanto os volumes de transporte de retorno foram 6,4% menores. Os volumes intrarregionais, por sua vez, aumentaram 18,1%.
Jensen também destacou que a recente valorização das taxas spot transpacíficas não pode ser atribuída a um aumento correspondente na demanda. As importações norte-americanas do Extremo Oriente aumentaram apenas 2,2% em julho em comparação com o mesmo período do ano anterior, após um crescimento de 0,7% em junho. Especificamente na rota transpacífica, a demanda saltou 4,2% em julho, após um modesto aumento de apenas 0,7% no mês anterior.
“Portanto, a força das taxas spot do Pacífico deve ser atribuída ao desenvolvimento da capacidade e não ao desenvolvimento da demanda durante junho e julho”, disse Jensen.
Entretanto, o índice global de tarifas da CTS — que considera todas as rotas e as tarifas contratuais e spot — atingiu 115 pontos, um nível 37% superior ao registrado um ano antes e apenas 2,5% inferior ao pico observado em julho de 2024.
Olhando para os próximos meses, a CTS destacou que, apesar das interrupções no Canal do Panamá, da crise no Oriente Médio e do congestionamento causado pela temporada de tufões na Ásia, “os volumes globais continuaram a se adaptar em vez de diminuir”. No entanto, observou que ainda é preciso ver se essa resiliência poderá ser mantida durante o restante do ano, especialmente com a reconfiguração dos padrões comerciais e a aproximação da Semana Dourada da China, de 1º a 7 de outubro.
Fonte: Mundo Marítimo