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Transporte Aquaviário

Tráfego de navios no Estreito de Ormuz atinge menor nível

Apenas dois petroleiros cruzaram a rota estratégica em um único dia em meio a tensões crescentes e sanções dos EUA

26/08/2026 07h57

Foto: Divulgação

O tráfego de navios de carga pelo Estreito de Ormuz registrou, na segunda-feira (24), o menor nível diário de embarcações de transporte de commodities desde o início de maio. Apenas dois petroleiros atravessaram o ponto estratégico, com ambos os navios entrando no Golfo Pérsico.

O volume de navegação ficou substancialmente abaixo da média registrada nos últimos dez dias, que era de 14 embarcações diárias. De acordo com o rastreador de navios Kpler, apenas um navio-tanque de gás de grande porte e um superpetroleiro de petróleo bruto fizeram a travessia vindo do Golfo de Omã.

Embora o número represente uma queda acentuada em relação ao domingo (23) — quando sete navios de diversos tipos cruzaram a região —, a contagem final pode passar por alterações, uma vez que algumas embarcações costumam desligar seus transponders de navegação durante o percurso por razões de segurança.

Paralelamente, dados provisórios da empresa de rastreamento marítimo Vortexa indicam que o fluxo de petróleo que passou pelo local na segunda-feira foi de 5 milhões de barris por dia. Em termos de média móvel de sete dias, o tráfego pelo Estreito de Ormuz oscilava entre 6 milhões e 7 milhões de barris por dia até a data de 23 de agosto.

Escalada de tensões e sanções internacionais

O declínio na movimentação ocorre em um momento de acentuada tensão geopolítica. O governo do Irã afirmou que 45 petroleiros violaram as normas estabelecidas para a navegação no estreito e ameaçou adotar medidas coercitivas contra embarcações que realizem operações de transferência de carga entre navios (ship-to-ship) com essas frotas irregulares. A medida intensifica a pressão sobre uma das vias navegáveis mais críticas do mundo, seis meses após o eclodir do conflito no território iraniano.

“Resta saber como a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã poderá garantir o cumprimento das regras por parte dessas embarcações não conformes”, destacou Xavier Tang, analista sênior de mercado da Vortexa. O especialista alertou ainda para os riscos geopolíticos envolvidos na rota: “Se o conflito na região se intensificar ou se embarcações forem atacadas no ponto de estrangulamento, o tráfego pelo Estreito de Ormuz poderá ser severamente afetado”.

Antes do início do conflito regional, o Estreito de Ormuz era responsável pelo escoamento de aproximadamente um quinto de todo o fluxo mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito.

Além das restrições de navegação, Teerã prometeu retaliar contra o endurecimento das sanções econômicas promovidas pelos Estados Unidos, que buscam asfixiar financeiramente o país. As novas medidas foram anunciadas na segunda-feira pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. Apesar de não ter imposto as punições mais extremas possíveis, Washington alertou que governos e empresas que continuarem a realizar trocas comerciais com o Irã correm o risco de perder o acesso ao sistema financeiro internacional baseado no dólar. O governo iraniano, por sua vez, declarou confiança de que seus principais parceiros comerciais irão resistir à pressão da diplomacia norte-americana.

Movimentação em Bab el-Mandeb

Enquanto o tráfego em Ormuz desacelera, a movimentação no outro extremo da Península Arábica apresentou estabilidade. Cerca de 30 embarcações cruzaram o Estreito de Bab el-Mandeb na segunda-feira, de acordo com dados compilados pela Kpler. O volume registrado manteve-se alinhado à média de dez dias do local e mostrou leve alta em relação ao domingo, quando foram contabilizadas 28 travessias.

Fonte: Reuters