28/10/2026 14h51
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Com a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1, muitos empreendimentos brasileiros estão correndo para entender o que muda e como se adaptar. Na Temp Log, empresa especializada no transporte de insumos farmacêuticos e estéticos, a resposta foi diferente porque a mudança já estava acontecendo.
A explicação começa na convenção coletiva do setor logístico, que estabelece uma carga de 44 horas semanais, o que, na prática, permitia que trabalhadores fossem convocados aos sábados. Mesmo dentro dessas diretrizes, a operadora optou por distribuir o expediente de segunda a sexta, preservando o fim de semana de toda a equipe. "Desde o ano passado a gente já estava olhando para essa questão e entendemos que a qualidade de vida e o tempo com a família precisavam fazer parte da nossa cultura", conta Elizabeth Midori, coordenadora de RH da companhia.
Essa decisão, que começou como uma avaliação e escolha pelos valores, hoje se traduz em uma vantagem, pois com a nova legislação, a maioria dos estabelecimentos precisará rever turnos, revisar contratos e absorver o impacto de horas extras mais caras. Na Temp Log, a transição é mais suave porque quase todo o quadro já opera em escala 5x2, com flexibilidade de horário implantada, o que dá aos gestores margem para redistribuir a jornada conforme os picos de demanda de cada área.
Mas, nem tudo é tão simples na logística farmacêutica. Canetas emagrecedoras chegam diretamente à casa de pacientes, medicamentos oncológicos abastecem hospitais, insumos estéticos precisam estar nas clínicas no momento certo e tudo isso muitas vezes acontece fora do expediente convencional.
Com a hora extra ficando mais cara sob a nova PEC, o desafio é garantir cobertura sem elevar o custo operacional. "O nosso principal ponto de atenção está em conciliar a disponibilidade da equipe com as janelas de atendimento dos clientes. As demandas de transporte nem sempre acontecem dentro do tempo estipulado, e a qualidade do serviço não pode ser comprometida", explica a coordenadora.
A solução, segundo ela, passa por planejamento criterioso antes de qualquer alteração de escala. Cada gestor está mapeando seu setor: volume de atividade, picos, produtividade, para só então remodelar as rotinas. "Reduzir a jornada sem analisar processos pode gerar sobrecarga e ineficiência. O caminho é combinar a esquematização das pessoas, análise de dados e flexibilidade organizacional. O objetivo é reorganizar o trabalho para cumprir a regra, cuidar de quem faz a operação acontecer e manter o nível de atendimento que o cliente espera."
Para outros gestores de RH do setor, a orientação é não esperar. "É importante conhecer a realidade de cada área antes de definir qualquer alteração. Dentro de uma mesma empresa, as demandas podem ser muito diferentes. Quem começar a análise agora vai ter mais tempo para tomar decisões assertivas e menos chance de ser pego desprevenido."