26/10/2026 10h16
Foto: Divulgação
A sobrecarga de trabalho aumentou para 63% dos profissionais brasileiros nos últimos dois anos, de acordo com a terceira edição da pesquisa global Workforce 2026. Realizada pela consultoria Korn Ferry com mais de 16 mil trabalhadores em 11 países, a pesquisa mostra um crescimento de 1% acima da média global.
Dos entrevistados, 47% dos brasileiros dizem estar ocupados demais para gerar resultados relevantes. Além disso, metade reconhece que as demandas superam a capacidade de entrega. Nos outros países, o índice é de 44%.
De acordo com o estudo, o cenário é resultado do acúmulo contínuo de tarefas e novas demandas são incorporadas à rotina sem que atividades anteriores deixem de existir. O movimento dificulta que os trabalhadores coloquem em prática as prioridades.
Influência da inteligência artificial
Dados revelam ainda que 59% dos brasileiros acumulam responsabilidades de mais de um cargo. Além disso, 39% afirmam que a redução do número de gestores dificulta o alinhamento de prioridades.
O movimento está relacionado às reestruturações corporativas e ao avanço da inteligência artificial (IA), conforme explica o levantamento. A ferramenta passou a assumir parte das atividades que antes eram executadas pelos funcionários e as tarefas remanescentes estão sendo redistribuídas entre as equipes.
No entanto, 58% dos entrevistados consideram que são remunerados adequadamente pelo esforço adicional.
Por outro lado, a inteligência artificial aparece como uma forma de aumentar a produtividade, mas elevar as exigências sobre os profissionais. Cerca de 52% dos brasileiros afirmam que o uso das tecnologias aumentou a quantidade de tarefas relacionadas à função.
Já 74% relatam ganhos reais de eficiência com a IA, sendo que 70% dos brasileiros afirmam ter recebido treinamento adequado para utilizar recursos de IA. A média global indica 52%.
Situação dos gestores
Entre os brasileiros que atuam como gestores intermediários, 46% disseram que as empresas reduziram o número de cargos de liderança. Em contrapartida, 49% relataram exaustão no ritmo das mudanças organizacionais.
O estudo mostra ainda que apenas 18% afirmam receber apoio suficiente de seus superiores para exercer suas funções de liderança. Segundo a consultoria, esses profissionais estão no centro da pressão corporativa, cobrados por resultados pela alta administração e, simultaneamente, responsáveis por conduzir equipes cada vez mais sobrecarregadas.
Fonte: A Tarde