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Gestão

Só 1 em 5 motociclistas de app tem previdência

Na categoria como um todo, 31% contam com previdência

05/09/2026 09h00

Foto: Rovena Rosa - Agência Brasil

O Brasil tem cerca de 405 mil pessoas que trabalham como motociclistas de aplicativos, como os de transporte de passageiros e entrega de comida e produtos. Desses, apenas 79 mil têm cobertura previdenciária, o que representa 19,4%, equivalente a um em cada cinco.

Para efeito de comparação, quando se leva em conta todas as pessoas ocupadas no setor privado no país, o índice de cobertura previdenciária é de 62,4%. Considerando todos os motociclistas do país, plataformizados ou não, o índice de cobertura é 31%.

Ao contribuir para institutos de previdência, o trabalhador adquire garantias, como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte.

Os dados fazem parte de um módulo especial sobre trabalho por meio de plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O instituto coletou informações em 2025 para medir o contingente de trabalhadores por aplicativo no país, classificados como “plataformizados”.

O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, aponta que a “pequena parcela dos condutores plataformizados” protegidos pela previdência contrasta com o perfil da atividade.

“Eles podem estar expostos a acidentes e outros riscos relacionados à ocupação”, diz.

O levantamento do IBGE aponta que, de 2024 para 2025, houve aumento de 15,4% no número de motociclistas plataformizados. Já no período de 2022 (primeiro ano da pesquisa) a 2025, o número praticamente dobrou, indo de 211 mil para 405 mil pessoas.

A pesquisa é considerada pelo IBGE como experimental, ou seja, em fase de teste e sob avaliação. Em 2023 não houve coleta de informações.

Ganham mais com apps

O levantamento detalha que os motociclistas de apps receberam, em média, R$ 2.221 mensais. Esse valor é o que foi efetivamente “retirado”, conforme explica o IBGE. O cálculo desconta, por exemplo, o gasto com combustível.

Os motociclistas plataformizados tinham jornada semanal de 44,9 horas, enquanto os não relacionados a app trabalhavam 41,1 horas.

O rendimento médio por hora dos plataformizados (R$ 11,4) era 12,9% superior ao rendimento dos não plataformizados (10,1).

Motoristas de app

A Pnad traz também dados de motoristas de aplicativos. Em 2025 eram 905 mil pessoas, contingente que cresceu 9,8% na comparação com o ano anterior. Em três anos, o incremento foi de 26% (eram de 718 mil).

De todos os motoristas de aplicativos, apenas um em cada quatro (25,5%) tinha cobertura previdenciária. Considerando todos os motoristas do país, plataformizados ou não, o índice de cobertura é 43,8%.

Diferentemente dos motociclistas, os motoristas de app tinham rendimento por hora inferior aos dos não plataformizados.

Em 2025, os motoristas ligados a plataformas tinham jornada de 45,9 horas semanais e rendimento de R$ 14,4 por hora. Já os não plataformizados trabalhavam 40,4 horas semanais e recebiam R$ 16 por hora.

Os motoristas de aplicativo terminavam o mês com remuneração de R$ 2.873, valor 2,4% maior que o dos não plataformizados.

Plataformas contestam IBGE

Após a publicação da pesquisa, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), instituição que reúne empresas de tecnologia prestadoras de serviços, divulgou uma nota na qual reconhece a "importância do avanço em pesquisas sobre o trabalho intermediado por plataformas". No entanto, a associação considera que o estudo do IBGE, classificado pelo próprio instituto com experimental, "tem limitações".

"Os resultados indicam que a pesquisa apresenta deficiências metodológicas para retratar fielmente esse universo", afirma a nota.

"A pesquisa aponta que os trabalhadores plataformizados que têm essa atividade como secundária seriam inferiores a 10%, porém a própria pesquisa diz que 17% dos identificados como tendo nos aplicativos sua ocupação principal apontam que o maior motivo para escolherem este trabalho é 'complementar a renda', o que sugere uma inconsistência nos resultados", cita a Amobitec.

A entidade representativa utiliza pesquisas do Instituto Datafolha e do Centro Brasileiro de de Análise e Planejamento (Cebrap), realizadas em períodos diferentes da do IBGE, para apontar dados divergentes dos do órgão oficial. Segundo a Amobitec, a metodologia empregada pelo IBGE para analisar os ganhos com aplicativos "parece não ser suficiente para um retrato preciso dos rendimentos desses profissionais".

A Amobitec se coloca à disposição para colaborar com o IBGE no aprimoramento da pesquisa e afirma defender "uma regulamentação equilibrada" para o trabalho intermediado por aplicativos, "que permita uma efetiva proteção para motoristas e entregadores ao mesmo tempo que contemple a flexibilidade neste tipo de trabalho e a diversidade dos modelos de negócios".

São associadas da Amobitec a 99, Alibaba, Amazon, Buser, iFood, Flixbus, Lalamove, Shein, Uber e Zé Delivery.

Fonte: Agência Brasil