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Gestão

Raízen vende usina no MS por R$ 760 mi em meio à recuperação

A Usina Caarapó, localizada em Caarapó, foi vendida para a Adecoagro Vale do Ivinhema

21/07/2026 10h11

Foto: Divulgação

A produtora de açúcar e álcool e dona rede de postos de combustíveis controlada pela Cosan e pela Shell, a Raízen, anunciou a venda da Usina Caarapó, localizada em Caarapó (MS), por R$ 760 milhões, para a Adecoagro Vale do Ivinhema.

A Raízen está vendendo ainda a cessão de cana-de-açúcar própria e os contratos de fornecimento vinculados à usina, que processou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26.

O pagamento será realizado à vista na conclusão do negócio, sujeito aos ajustes usuais previstos para transações desse tipo. Em comunicado ao mercado, a Raízen afirmou que a venda está alinhada à sua estratégia de otimização do portfólio de ativos, simplificação das operações e captura de ganhos de eficiência, com foco na melhoria da rentabilidade do negócio agroindustrial.

Após operação, a companhia passará a operar um portfólio de 23 usinas. A capacidade instalada de moagem da Raízen será de aproximadamente 69 milhões de toneladas de cana por safra.

O fechamento da transação ainda depende da aprovação do Cade. Além do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, acordo depende do cumprimento de outras condições precedentes previstas nos contratos firmados entre as partes. A empresa informou que manterá o mercado atualizado sobre eventuais desdobramentos relevantes do negócio.

Citi vê a entrada de recursos como positiva, por contribuir para a simplificação de operações e otimização do portfólio. Em relatório, os analistas Gabriel Barra e Pedro Gama apontam, entretanto, que a venda não é suficiente para promover uma desalavancagem relevante ou resolver desafios na estrutura de capital da companhia.

Recuperação extrajudicial

A Raízen está em processo de recuperação extrajudicial aceito pela Justiça. A empresa anunciou acordo de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 65,1 bilhões. O processo inclui compromissos com bancos e investidores que detém títulos da companhia. Já fornecedores e funcionários e outros pagamentos operacionais seguem normais.

A direção da Raízen tem vendido ativos para reforçar caixa e reduzir endividamento. A empresa vendeu negócios da Argentina por US$ 1,42 bilhão. Pelo acordo, a joint venture entre a Cosan e a Shell transfere as operações de downstre.

A Empresa vai seguir vendendo ativos para reforçar caixa, diz presidente Nelson Gomes. Em teleconferência de resultados, o CEO disse que a política de desinvestimentos continua sendo parte da estratégia para fortalecer o caixa e a eficiência.

Após crise na Raízen, Moody's rebaixa nota da Cosan e mantém pessimismo. Moody's citou a fraca cobertura de juros da holding e a dependência da venda de ativos para reduzir a dívida. "O rebaixamento dos ratings da Cosan para B1 reflete a fraca cobertura de juros no nível da holding e a continuidade da dependência da monetização de ativos", afirmou a agência.

Fonte: UOL