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Economia

Preço do petróleo cai 4% após anúncio de acordo entre Irã e EUA

Donald Trump anunciou conclusão de negociações e reabertura do Estreito de Ormuz

15/06/2026 07h30

Foto: Divulgação

Os preços do petróleo caíram cerca de 4% na abertura do mercado asiático, após os Estados Unidos e o Irã anunciarem um acordo para pôr fim ao conflito no Oriente Médio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima para o abastecimento global de energia que o Irã vem efetivamente bloqueando há meses, seria reaberto na sexta-feira, 19, e que ele ordenou o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.

Por volta das 23h50 GMT de domingo (20h50 em Brasília), o preço do barril do Brent do Mar do Norte para entrega em agosto, referência do mercado global, caía 3,98%, para US$ 83,93. O West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, recuava 4,45%, para US$ 81,10 dólares, após ter caído cerca de 5% na abertura. Veja mais cotações.

Washington e Teerã chegaram a um acordo para encerrar “de maneira imediata e permanente” a guerra no Oriente Médio em todas as frentes, incluindo o Líbano, anunciou nesta segunda-feira o mediador paquistanês.

O tráfego nessa passagem estratégica estava paralisado desde o início do conflito, no fim de fevereiro, o que provocou uma forte alta dos preços do petróleo.

Cerca de um quinto de todo o petróleo bruto mundial normalmente passa pelo Estreito de Ormuz.

“Antes do conflito, cerca de 140 navios transitavam diariamente pelo estreito. O tráfego melhorou, mas continua muito abaixo da normalidade. Uma verdadeira reabertura teria, portanto, um impacto imediato (…) nos preços do petróleo”, avaliou Stephen Innes, analista da SPI Asset Managem.

Assinatura do acordo está marcada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nas redes sociais que o Estreito de Ormuz será reaberto após a assinatura do acordo na próxima sexta-feira (19).

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse que um acordo mais abrangente seria negociado durante um período de cessar-fogo de 60 dias, incluindo alívio de sanções. O destino do programa nuclear do Irã também será abordado nessas negociações posteriores, disseram fontes à Reuters anteriormente.

Milhares de pessoas foram mortas, principalmente no Irã e no Líbano, desde que as forças dos EUA e de Israel atacaram o Irã pela primeira vez em 28 de fevereiro. O Irã atacou Israel e os países do Golfo que abrigam bases norte-americanas e efetivamente bloqueou o Estreito de Ormuz, elevando os preços globais de energia. As forças americanas bloquearam portos iranianos em resposta.

O bloqueio do estreito impactou a economia global, desde o aumento dos preços dos combustíveis, que impulsionou a inflação nos Estados Unidos e em outros países, até cadeias de suprimentos congestionadas para bens como fertilizantes essenciais para a produção de alimentos em áreas distantes do Oriente Médio.

Conteúdo do acordo ainda não é conhecido

Ambas as partes divulgaram informações contraditórias sobre o conteúdo do acordo, à medida que cada uma busca emergir da guerra como vencedora.

Teerã tem insistido que manterá o controle sobre o Estreito de Ormuz, mas os Estados Unidos afirmaram em diversas ocasiões que isso era inaceitável. Outro ponto das negociações tem sido o destino do programa nuclear iraniano, em particular seus estoques de urânio altamente enriquecido.

Trump justificou a guerra como necessária para impedir que o Irã obtivesse armas nucleares, uma ambição que Teerã tem negado.

Um memorando de entendimento prevê o desembolso imediato de 12 bilhões de dólares em ativos congelados, informou nesta segunda-feira (15) a agência de notícias iraniana Mehr.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, comemorou o acordo. “O secretário-geral espera que as partes aproveitem este novo impulso e redobrem seus esforços em direção a uma resolução final do conflito”, afirmou Guterres em um comunicado atribuído ao seu porta-voz, Stéphane Dujarric.