25/01/2026 10h50
Foto: Divulgação
O sistema de pagamentos instantâneos Pix passará por mudanças a partir do dia 2 de fevereiro, com a entrada em vigor de uma nova regra de segurança determinada pelo Banco Central (BC). De acordo com o Estadão, todas as instituições financeiras que oferecem o serviço deverão disponibilizar uma nova funcionalidade no Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada para possibilitar a devolução de recursos a vítimas de fraudes, golpes ou situações de coerção.
O MED já existe, mas a atualização amplia sua capacidade de rastreamento das transações. Até então, a devolução dos valores dependia exclusivamente da conta que recebeu originalmente o dinheiro. Caso o golpista transferisse os recursos para outras contas de forma rápida, prática comum nesse tipo de crime, o mecanismo não conseguia alcançar os valores.
Rastreamento ampliado de valores
Segundo o doutor em Computação e professor do Campus de Alphaville da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Cleórbete Santos, a principal inovação da nova versão do MED está no rastreamento em cadeia das transações. “Se o golpista transferisse o valor rapidamente para uma segunda ou terceira conta, o que é muito comum, o mecanismo não conseguia mais alcançar o dinheiro”, afirma.
Com a mudança, o sistema passa a identificar todas as contas envolvidas no caminho percorrido pelo dinheiro, compartilhando essas informações entre as instituições financeiras participantes. A devolução poderá ocorrer em até 11 dias após a contestação feita pelo usuário.
“O rastreamento ficou mais aprimorado. O BC agora permite que o sistema siga o rastro do dinheiro por várias camadas de transações”, explica Santos. “A título de exemplo: se o golpista enviar R$ 1 mil para a conta A e essa conta enviar R$ 500 para a conta B, o sistema agora consegue bloquear os valores nas duas contas envolvidas no golpe”, acrescenta.
Grafo de rastreamento é a base da nova tecnologia
De acordo com o professor, a atualização foi possível graças ao uso do grafo de rastreamento, tecnologia central da nova versão do MED. O recurso funciona como uma representação matemática e computacional capaz de mapear automaticamente o caminho do dinheiro.
O sistema conecta a conta de origem a todas as contas que receberam os valores posteriormente, em uma profundidade de até cinco camadas, ou seja, até cinco contas bancárias envolvidas na movimentação. Antes da atualização, esse trabalho era feito de forma manual e se limitava à primeira conta que recebia o valor.
A funcionalidade está disponível para uso facultativo desde 23 de novembro de 2025, mas passa a ser obrigatória para todas as instituições financeiras a partir de 2 de fevereiro.
Contestação continua sendo essencial
Desde outubro do ano passado, todos os participantes do Pix são obrigados a oferecer nos aplicativos bancários uma opção que permita ao cliente contestar transações de forma simples, sem necessidade de atendimento humano.
Cleórbete Santos ressalta, no entanto, que o acionamento do MED não garante automaticamente a devolução do dinheiro. “É preciso que ainda haja saldo disponível nas contas por onde o valor passou. Por isso, a rapidez do usuário em registrar a denúncia logo após o golpe continua sendo o fator mais importante para o sucesso da recuperação”, alerta.
Como se proteger de golpes e fraudes no Pix
O especialista explica que muitos golpes se baseiam em urgência e apelo emocional. Em casos de mensagens atribuídas a amigos ou familiares solicitando transferências imediatas, a recomendação é confirmar a informação por meio de uma ligação por vídeo antes de realizar qualquer pagamento.
Também é importante desconfiar de abordagens atípicas. Instituições financeiras não solicitam dados pessoais, transferências de teste ou códigos de validação por aplicativos de mensagens ou SMS. Caso isso ocorra, a orientação é encerrar o contato e comunicar a tentativa de golpe ao banco pelos canais oficiais.
Além disso, algumas medidas preventivas ajudam a reduzir os riscos:
Pix mantém protagonismo apesar de instabilidades
As mudanças ocorrem em um contexto de crescimento contínuo do Pix no Brasil. Recentemente, o sistema enfrentou uma instabilidade que afetou transferências e pagamentos em diversos bancos, mas o Banco Central confirmou a normalização do serviço após a atuação das equipes técnicas.
Apesar de episódios pontuais, o Pix segue consolidado como o principal meio de pagamento do país, respondendo por mais de 50% das transações financeiras. Especialistas avaliam que o avanço das ferramentas de segurança é essencial para sustentar o crescimento e fortalecer a confiança dos usuários no sistema.
Fonte: Estadão Conteúdo