Entrevista

Novo cais eleva patamar de movimentação no Porto de Vitória

A previsão é elevar em mais 600 mil t anuais o volume de carga, diz diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Codesa, Bruno Fardin

17/10/2020 17h00

Foto: Codesa - Divulgação

O Porto de Vitória terá um ganho de 10% na movimentação anual de cargas após a inauguração e entrada em operação do novo Cais de Atalaia, na última segunda-feira, dia 5 de outubro. O porto movimenta em torno de 7 milhões de t/ano e, com o funcionamento do berço 207, a previsão é elevar em mais 600 mil toneladas anuais o volume de carga.

O novo cais tem 270 m de comprimento e quase 20m² de área. O novo berço será multipropósito, podendo movimentar granéis sólidos, cargas de projeto, produtos siderúrgicos, além dos granéis líquidos, que era a dedicação anterior dos antigos dolfins. Agora, com o perfil de cais corrido, o 207 terá um aumento de 75% em sua capacidade de movimentação de cargas.

As informações são do diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Companhia das Docas do Espírito Santo - Codesa, Bruno Fardin, que fala sobre o novo Cais:

Qual a importância do o Cais para o porto?

Uma grande obra – um cais contínuo – que vai impulsionar a operação portuária. Finalmente inauguramos e entregamos para a sociedade capixaba esse valioso ativo.

Esta é uma obra que estava sendo conduzida pela Codesa, pelo governo Federal, desde 2015, e a atual diretoria, da qual eu faço parte, cumpriu seu compromisso de concluir essas obras que foram iniciadas por diretorias anteriores e pelos empregados, que continuam na empresa. É sempre importante mencionar isso! Assim como entregamos a sinalização náutica, que permitiu que explorássemos o novo calado do Porto de Vitória, alçando o porto a novos patamares, num cenário mais competitivo – isso ocorreu no mês de abril deste ano – nós entregamos mais essa obra importante no porto.

Qual a capacidade de movimentação de carga no berço 207?

O novo Cais de Atalaia, que fica na margem de Vila Velha, vai aumentar a capacidade do porto em 600 mil t. Isso é significativo! Atualmente, o porto movimenta em torno de 7 milhões de t/ano. Então, essa capacidade de 600 mil toneladas a mais que o novo cais consegue gerar com a movimentação de navios é muito expressiva. Em comparação à estrutura anterior que existia – os dolfins de atracação: estrutura mais simples que limitava a movimentação de cargas – representa um aumento de 75% no berço. O Cais contínuo, repito, permite que consigamos movimentar cargas multipropósito, como granéis sólidos, cargas de projeto, produtos siderúrgicos, além dos granéis líquidos, que era a dedicação anterior do dolfin.

O Cais já está funcionando?

Sim, a obra foi entregue e, no dia seguinte, um navio com 30 mil t de fertilizante atracou para o desembarque dessa carga no berço 207. Foi uma carga de importação e o porto é um player importante de importação de fertilizante na nossa área de influência – Minas Gerais e alguns estados da região central do país.

O Terminal de Granéis Líquidos tem alguma relação com o novo Cais de Atalaia?

O TGL é um projeto que foi leiloado em março do ano passado. O terminal ocupará uma área denominada Vix 30, que fica dentro da retroárea de Capuaba, na margem Vila Velha, onde o novo arrendamento para movimentar granéis líquidos foi arrematado pelo Consórcio Navegantes, formado pelas empresas Raízen, BR e Ipiranga, foi o vencedor. Esse terminal de granéis líquidos, que terá capacidade de movimentar até 1 milhão de toneladas de combustíveis/ano – um número muito significativo - vai operar justamente no Cais de Atalaia. O projeto do TGL foi desenhado para que essa operação seja no Atalaia. Então, é mais uma importância que esse berço representa, porque vai garantir o abastecimento para nosso estado, mitigando, afastando muito, qualquer risco de desabastecimento de combustíveis no Espírito Santo, com essa capacidade de movimentação de 1 milhão de t/ano.

Sobre o TGL, agora estão sendo feitos os estudos de impacto ambiental, preparada a audiência pública, o detalhamento do projeto de implantação desse terminal e a partir do momento em que a obra se iniciar – o que deve ocorrer nos próximos meses – o projeto prevê um período de três anos de construção.

O acesso para Atalaia será por Capuaba?

Sim, o Cais de Atalaia é contínuo ao Cais de Capuaba. O berço 207, de Atalaia, fica ao lado dos berços 201 e 202, de Capuaba. Ambos são terminais públicos e o acesso é o mesmo, pela Estrada de Capuaba.

Navios com maiores calados já podem entrar no Canal?

Isso está ocorrendo desde maio passado. Desde que foi concluída a sinalização náutica, permitindo que fosse explorada a nova profundidade, começaram os testes dos novos calados. Estamos cumprindo uma série de manobras teste, que a Autoridade Marítima, aqui representada pela Capitania dos Portos, nos exige. Já estamos fazendo navios de até 12m de calado. Em breve vamos fazer os testes de manobras em navios com 12,50 m, que é o calado máximo do Porto de Vitória. O novo cais de Atalaia, certamente se beneficiará. O Porto de Vitória já está se beneficiando! O número de navios tende a aumentar, e a quantidade de carga que as embarcações transportam já vem aumentando. Esse novo calado traz um impacto muito significativo de capacidade do porto, algo em torno de 20% de aumento de capacidade com esse calado de 12,50m, em comparação ao calado anterior, de 10,67m.

A nossa área de influência do porto, que na linguagem do setor chamamos de hinterlândia, é o próprio estado do Espírito Santo, Minas Gerais e uma parte do Centro-Oeste.