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Gestão

Maior fabricante de eletros do Brasil anuncia fechamento

Reestruturação da fabricante pode afetar cerca de 2,3 mil trabalhadores em duas operações

11/08/2026 08h41

Foto: Divulgação

A Electrolux iniciou uma reestruturação de suas operações industriais na Europa que envolve duas fábricas e pode afetar aproximadamente 2,3 mil trabalhadores. Uma das unidades terá as atividades encerradas até o fim de 2026, enquanto a outra ainda é alvo de negociações entre a empresa, sindicatos e autoridades.

As fábricas estão localizadas na Hungria e na Itália e produzem diferentes tipos de eletrodomésticos, como refrigeradores e equipamentos para cozinhas. Apesar de a Electrolux ter forte presença no mercado brasileiro, as medidas anunciadas até agora não atingem unidades instaladas no Brasil.

Segundo a companhia, a reorganização está relacionada à demanda mais fraca, à pressão sobre os preços e ao aumento dos custos industriais. A estratégia também prevê concentrar a fabricação em operações consideradas mais competitivas.

Unidade na Hungria será encerrada

A situação mais avançada ocorre em Jászberény, na Hungria. A Electrolux confirmou o encerramento da produção na fábrica até o final de 2026.

A unidade é responsável pela fabricação de refrigeradores de embutir e modelos independentes. Cerca de 600 trabalhadores poderão ser afetados pela decisão, com possibilidade de desligamentos e transferências.

A empresa afirma que a medida busca adequar sua estrutura ao comportamento do mercado europeu e reduzir custos. Entre os fatores apontados estão a estagnação da demanda, a pressão sobre os preços e as dificuldades para manter a competitividade da operação.

Com o fechamento, a demanda por refrigeradores deverá ser atendida por outras fábricas da Electrolux e também por fornecedores externos. As operações comerciais e de marketing da companhia em Budapeste, capital húngara, serão mantidas.

A reestruturação da unidade deverá gerar uma despesa de aproximadamente 600 milhões de coroas suecas.

Na Itália, fechamento ainda está em negociação

O segundo processo ocorre na Itália e envolve uma possível redução de aproximadamente 1.700 postos de trabalho. De acordo com os sindicatos, a proposta apresentada pela Electrolux inclui o fechamento de uma das cinco fábricas mantidas pela empresa no país.

A unidade ameaçada fica em Cerreto d’Esi, onde são produzidas coifas de cozinha. O número de empregos incluído no plano representa mais de 40% dos cerca de 4.500 trabalhadores da Electrolux na Itália.

A proposta provocou reação dos sindicatos, que convocaram paralisações e solicitaram a participação do governo nas discussões. Os representantes dos trabalhadores também passaram a buscar alternativas para evitar o encerramento da fábrica.

As autoridades italianas acompanharam as negociações e solicitaram a suspensão da execução imediata do plano.

Electrolux interrompe plano temporariamente

Em junho, a empresa concordou em suspender temporariamente a reestruturação na Itália. A decisão abriu espaço para que governo, sindicatos e representantes da Electrolux continuassem discutindo alternativas para a unidade.

A interrupção, porém, não representa o abandono definitivo da proposta. O plano que prevê os cortes e o fechamento da fábrica poderá ser alterado, cancelado ou retomado após as negociações.

Enquanto as discussões continuam, a fábrica de Cerreto d’Esi permanece em funcionamento. Por isso, os 1.700 postos previstos no plano ainda representam uma possibilidade, e não demissões já efetivadas.

Número de trabalhadores afetados pode mudar

Somando os dois processos, aproximadamente 2,3 mil trabalhadores estão envolvidos na reestruturação: cerca de 600 na Hungria e 1.700 na Itália.

O número, entretanto, não corresponde a demissões já realizadas. Na Itália, principalmente, o resultado dependerá das negociações em andamento.

Entre as possibilidades para reduzir o impacto sobre os funcionários estão transferências, programas de desligamento voluntário, aposentadorias incentivadas e outras alternativas. As condições finais serão definidas pelos acordos em cada país.

Estratégia busca reduzir custos

A reorganização ocorre em um cenário de consumo mais fraco e maior pressão competitiva no setor de eletrodomésticos. A Electrolux também enfrenta custos maiores relacionados à produção.

A presença de fabricantes asiáticas em diferentes mercados ampliou a disputa pelos consumidores. Paralelamente, despesas com energia, matérias-primas, transporte e mão de obra pressionam as operações industriais europeias.

Diante desse cenário, a companhia pretende concentrar a produção em unidades maiores e mais competitivas. O uso de fornecedores terceirizados também faz parte da estratégia para atender parte da demanda.

Assim, os processos na Hungria e na Itália estão inseridos em uma reorganização industrial mais ampla da empresa.

Brasil não está entre as unidades afetadas

Até o momento, não há anúncio de fechamento de fábricas da Electrolux no Brasil relacionado a essa reestruturação. As medidas divulgadas pela companhia atingem exclusivamente as operações mencionadas na Hungria e na Itália.

A empresa mantém presença no mercado brasileiro, onde comercializa produtos como geladeiras, fogões, máquinas de lavar, aspiradores e aparelhos de ar-condicionado.

Dessa forma, o anúncio das medidas na Europa não representa, até agora, uma confirmação de encerramento das atividades da Electrolux no país.

O que acontece agora

Na Hungria, a produção em Jászberény será encerrada até o fim de 2026, e a fabricação deverá ser transferida para outras unidades e fornecedores. A empresa ainda deverá definir as condições destinadas aos trabalhadores afetados.

Na Itália, o futuro da fábrica de Cerreto d’Esi continua em aberto. Governo, sindicatos e Electrolux seguem negociando uma alternativa para a unidade e para os empregos incluídos no plano.

Enquanto o fechamento húngaro já foi confirmado, a unidade italiana permanece funcionando e ainda poderá ter seu destino alterado conforme o resultado das negociações.

Fonte: A Tarde