03/06/2026 08h47
Foto: Divulgação
O uso de drones para entrega de comida agora faz parte da rotina de moradores de um condomínio de Barueri, na Grande São Paulo. Isso porque o iFood, em parceria com a Speedbird Aero, iniciou uma nova rota usando a tecnologia. Agora, os moradores podem receber encomendas do Shopping Iguatemi em apenas cinco minutos.
O drone voa a 50 km/h a uma altitude de 60 metros e suporta condições climáticas adversas, como ventos de até 55 km/h e chuvas leves, transportando pedidos de até 5 kg todos os dias das 10h30 às 22h30. A nova rota possui as certificações necessárias da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
Segundo a companhia, essa é a primeira rota de delivery no Brasil que vai sobrevoar áreas residenciais, graças a uma autorização da Anac que permitiu que a Speedbird operasse o drone em regiões com densidade de até cinco mil habitantes por km².
Drones do iFood em Barueri
Segundo o iFood, Barueri não foi escolhida por acaso. A rota entre o shopping e o condomínio em Barueri é evitada por quase metade dos entregadores devido ao longo tempo de espera na portaria do condomínio. Dessa forma, o uso dos drones pode impulsionar o trabalho dos entregadores, eliminando o tempo de espera para cadastro no residencial — já que ele esperará o pedido na base do iFood.
Esse benefício foi destacado pelo vice-presidente de Logística e Operações do iFood, Arnaldo Bertolaccini.
“O que a gente leva para o entregador não é um prejuízo, é um ganho. Ele ganha mais produtividade, ele tira a fricção de ficar entrando muitas vezes”, disse. “Então, não é uma condição para a gente, uma substituição, mas é potencializar a produtividade do entregador”, ressaltou.
Com o aumento de performance dos colaboradores, há benefícios também para os restaurantes. “A gente imagina que também todos os restaurantes que estiverem aqui nesse ambiente vão conseguir vender muito mais porque vão acessar uma oferta muito mais rápida”, enfatizou Bertolaccini.
Atualmente, o iFood e a Speedbird Aero operam juntos em uma rota em Aracaju (SE) durante 10 horas diárias. De acordo com a empresa, há registro de estabelecimentos que chegaram a aumentar em 50% as entregas via delivery por conta do drone, que destravou oferta e demanda.
“Assim como em Sergipe, eu tenho certeza de que os restaurantes que estão aqui no shopping Iguatemi vão vender ainda mais. Eles vão ter tempos de entrega ainda melhores e vão conseguir acessar consumidores que antes eles não conseguiam acessar”, apontou o vice-presidente.
Para os consumidores, a maior vantagem está na diminuição do tempo de entrega. Além disso, eles podem acompanhar os pedidos da mesma forma que já acontece com as entregas pelos motoboys.
As empresas informaram que a operação contará com dois drones, cada um com autonomia de até 10 quilômetros em trajetos de ida e volta. A aeronave também opera em trajetos de 23 quilômetros em voos realizados em apenas um sentido.
Preocupação com a segurança
Para o drone realizar uma entrega no espaço aéreo mais disputados, as empresas precisaram de anos de planejamento. De acordo com o Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE), cerca de 2,5 mil voos são monitorados diariamente pelos controladores do órgão — o volume representa mais da metade de todas as operações aéreas realizadas no país.
O CEO da SpeedBird Aero, Manoel Coelho, destacou a importância da regulamentação para operar no Brasil, o segundo espaço aéreo mais disputado no mundo. “Então, para voar aqui no Brasil você precisa de tecnologia, segurança e confiança no equipamento. Por isso a regulamentação é tão importante.”
Nesse contexto, alcançar a operação em Barueri exigiu uma série de testes. E eles não começaram no céu, mas em solo. “O primeiro trabalho de segurança é feito no solo. Toda mitigação ela é feita antes de qualquer voo com o sistema de segurança da aeronave”, explicou Coelho.
A SpeedBird também pensou em um plano B. As aeronaves que fazem as entregas de comida na Grande São Paulo são equipadas com paraquedas. Desse modo, a população também estará protegida em casos de acidentes.
Fonte: MundoLogística