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Economia

Governo lança Desenrola 3.0 para renegociar R$150 bi em dívidas

Programa prevê compra de carteiras de crédito com deságio de 90%; governo estima desembolsar R$ 15 bilhões

27/09/2026 11h05

Foto: Divulgação

O governo federal anunciou uma nova rodada do Desenrola, programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas. O governo estima que as dívidas nessas modalidades somem R$ 300 bilhões e pretende alcançar 50% desse valor, ou R$ 150 bilhões.

A iniciativa prevê a aquisição e a reestruturação de dívidas com atraso de 2 a 4,5 anos.

O programa será voltado para dívidas de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e de crédito pessoal sem consignação em folha.

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, serão consideradas dívidas de até R$ 10 mil.

A iniciativa integra um pacote de ações econômicas voltadas ao combate ao endividamento das famílias brasileiras, anunciadas durante um evento em São Paulo.

A proposta é que a União compre as carteiras de crédito das instituições financeiras com deságio de 90%. Com isso, a estimativa é desembolsar R$ 15 bilhões para adquirir os R$ 150 bilhões em dívidas.

Moretti afirmou que os descontos obtidos nos leilões serão repassados às famílias. “Então nós estamos falando de limpar dessa carteira 150 bilhões em dívida, é muito forte, é muito potente para que essas famílias possam recomeçar”, disse.

A previsão é realizar em novembro um leilão para a compra das carteiras de crédito. A operação será feita pelo Tesouro Nacional ou por uma instituição financeira federal.

"Nós vamos acomodar as despesas necessárias para o leilão, que na prática vão afetar o orçamento de 2027 dentro desse espaço, o que significa que nós vamos fazer remanejamento entre despesas e, portanto, não haverá aumento de um real aqui na despesa global para acomodar".

Segundo Moretti, as instituições financeiras vão declarar interesse em vender suas carteiras, e vencerá a que oferecer o maior desconto. O objetivo é reduzir o comprometimento da renda das famílias e conter o superendividamento.

O ministro afirmou que a nova modalidade será diferente das anteriores porque, em vez de cada devedor negociar individualmente com o banco, o governo federal fará a aquisição das carteiras de dívidas.

“Em vez da gente criar um processo no qual cada pessoa, cada membro da família vai até o banco tentar renegociar sua própria dívida, aqui nós temos o Estado brasileiro, o governo federal fazendo aquisição de carteiras de dívidas das instituições financeiras.”

A medida provisória também prevê que o Banco Central adote medidas regulatórias para evitar excessos e abusos na concessão de crédito às famílias. Moretti afirmou que a intenção é evitar que elas voltem à situação de endividamento.

O novo programa é a terceira rodada do Desenrola. Na edição anterior, foram incluídas dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal com atraso de 90 dias a dois anos. A renegociação era feita diretamente entre os devedores e as instituições financeiras.

"Nós vamos ver o valor para incluir no orçamento, encaminharemos uma modificação ao orçamento, assim como para atender a questão da receita das bets, mas a premissa em ambos os casos é que o caso da despesa vai se tratar necessariamente em um remanejamento entre rubricas. Não haverá aumento global de despesa e no caso da receita, nós vamos identificar as novas fontes para custear essas despesas".

Fonte: g1