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Gestão

Gerdau recebe multa máxima por contaminação em praia de Salvador

Multa aplicada pelo Inema aponta responsabilidade da Gerdau por contaminação em São Tomé de Paripe

22/06/2026 09h25

Foto: Divulgação

A Gerdau Aços Longos recebeu uma multa de R$ 50 milhões por causa da contaminação na praia de São Tomé de Paripe. É o valor máximo correspondente às multas determinadas pelo Instituto do Meio Ambiente da Bahia (Inema).

O auto da infração foi aplicado no dia 3 de junho de 2026 e aponta que a empresa contribuiu “para contaminação com compostos químicos nas águas intersticiais, águas subterrâneas, sedimentos, águas do mar e biota na praia de São Tomé de Paripe, no Município de Salvador”.

Em fevereiro, a praia começou a apresentar manchas amarelas e azuis na faixa de areia, inicialmente associadas à contaminação por cloreto de potássio (KCl). Mais tarde, os laudos detalharam o cenário: a água do mar apresentou contaminação por compostos nitrogenados (nitrato, nitrito e nitrogênio amoniacal); a água intersticial registrou concentrações elevadas de cobre (total e dissolvido) e da série nitrogenada; e as amostras de sedimento também confirmaram a presença de cobre.

Desde então, a região está fechada na parte da praia para banhistas e vem causando graves prejuízos para pescadores, barraqueiros, marisqueiras e para a população do subúrbio.

Neste mês, a prefeitura de Salvador decretou situação de emergência ambiental na região litorânea.

O que aponta a investigação

Inicialmente as críticas da população se direcionaram à empresa Terminal Itapuã, que opera no local com o transporte de fertilizantes.

Mas os estudos e laudos realizados apontam que a contaminação poderia ter outros causadores, já que as manchas coloridas remetiam ao cobre que era operado até o início de 2022 pela Gerdau, que ainda é a proprietária do terminal.

As análises da biota (moluscos bivalves e crustáceos), executadas a partir de uma busca ativa de espécimes vivos em um quadrante próximo ao foco de contaminação, avaliaram os músculos dos animais e apresentaram violação para arsênio, além de relevantes concentrações de ferro, zinco e cobre. O resultado reforça a tese de contaminação pretérita, já que o Terminal Itapuã teve suspenso o desembarque de fertilizantes desde março deste ano.