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Economia

Fusões e aquisições recuam 39% no Nordeste

A queda ocorreu no primeiro semestre deste ano, comparando com o mesmo período do ano anterior

06/10/2026 09h52

O número de fusões e aquisições realizadas no Nordeste recuou 39% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo levantamento da Deloitte, elaborado a partir de informações da TTR Data. No Brasil, a queda foi menor, de cerca de 30%. Apesar da retração, Pernambuco e Ceará aumentaram sua participação nas fusões e aquisições da região. Os dois estados passaram a concentrar, juntos, pouco mais da metade das operações do Nordeste, ante menos de 50% um ano antes.

Ainda de acordo com informações da Deloitte, a Bahia permaneceu entre os polos mais consolidados do mercado regional. Juntos, Bahia, Pernambuco e Ceará responderam por cerca de 82% das operações no primeiro semestre de 2026, acima dos cerca de 77% registrados durante todo o ano de 2025.

“O primeiro semestre de 2026 confirma um movimento de maturação que já vínhamos acompanhando no mercado de M&A do Nordeste. Pernambuco e Ceará ganham espaço, muito em função da diversificação de suas economias e do avanço em frentes como energia renovável e tecnologia, enquanto a Bahia mantém uma base de negócios consolidada e recorrente. O resultado é uma região com origem de transações mais distribuída, ainda operando dentro de um ciclo mais seletivo, em linha com o que se observa no restante do país”, avalia José Luiz Sampaio, sócio-líder para o Norte e Nordeste da Deloitte.

Ainda de acordo com a empresa, a retração das fusões e aquisições na região ocorreu em um cenário de maior seletividade dos investidores e concentração em negócios de maior porte e o capital movimentado mostrou-se mais resiliente do que a quantidade de operações, cenário também observado no País.

José Luiz Sampaio, sócio-líder para o Norte e Nordeste da Deloitte - Foto: Deloitte - Divulgação

Principais transações

Na região, as principais transações anunciadas no primeiro semestre envolveram os segmentos de energia, bens de consumo, mineração, tecnologia da informação e real estate. Segundo informações da Deloitte, este resultado reforça uma característica já observada em levantamentos anteriores da Deloitte, que aponta uma vocação regional em energias renováveis, a incentivos locais e à disponibilidade de crédito direcionado ao setor. O Nordeste respondeu por cerca de 8% do volume nacional de operações no período, percentual próximo ao registrado durante 2025.

No Brasil, a composição foi diferente, com Serviços Financeiros e Tecnologia da Informação concentrando as maiores parcelas das transações.

Sócio de M&A da Deloitte Reinaldo Grasson afirma que os investidores continuam atentos às oportunidades no Nordeste, mesmo com o menor número de operações. Para a segunda metade do ano, ele aponta expectativa de maior disciplina na avaliação de risco, com atenção a ativos de fundamentos sólidos em setores como energia e bens de consumo.

O levantamento considera as transações nas quais o alvo, o comprador ou o vendedor tenha sede no Nordeste. Os dados utilizados são da TTR Data, com análise da Deloitte. A metodologia, portanto, inclui negócios nos quais pelo menos uma das partes envolvidas na operação está sediada na região.