19/08/2026 11h29
Foto: Divulgação
O presidente da Fenabrave, Arcelio Júnior, disse que o mercado de carros usados, principalmente no segmento premium, está sofrendo com o realinhamento de preços do setor.
Com dados de julho, o segmento projeta um crescimento de 8%, com mais de 2,9 milhões de novas unidades entre autos, ônibus e caminhões.
Para tentar acompanhar o movimento dos carros zero mais baratos, o seminovo cedeu na tabela, e os modelos de luxo foram os mais afetados pelo reposicionamento de preços dos fabricantes e importadores e pela correção mais rápida da Fipe.
O mercado já não obedece à lógica dos últimos anos, e o carro zero-quilômetro começou a cair de valor nas lojas, recebendo bônus maiores e enfrentando uma concorrência cada vez mais forte de nacionais e estrangeiros. Só checar o que acontece na Fiat, Chevrolet, Volks, Renault e Toyota, que traz até R$ 60 mil de redução no SUV SW4, por exemplo.
No usado, para quem vende ou compra, precisa acompanhar esse movimento de redução para não encalhar na mão do proprietário interessado em negociar ou nos estoques das revendas. “E quanto maior o valor do automóvel, maior pode ser o impacto em reais”, argumentou o executivo.
Mudança
O dado ajuda a dimensionar a velocidade da transformação do negócio. O comprador brasileiro começa a descobrir que a desvalorização do veículo também pode voltar a fazer parte da conversa — principalmente no segmento dos automóveis mais caros.
Esses carros, durante anos, viveram uma realidade quase artificial de preços sustentados pela falta de estoque para entrega, de insumos de fabricação, pela inflação e pela baixa oferta.
Hoje, o que acontece?
Nada de dizer “eu quero ou pago 100% da Fipe”, porque isso pode ser uma pegadinha, um jogo de números. Os usados passaram a ser atingidos pela redução escancarada no balcão das lojas, com campanhas mensais dos fabricantes que geram bônus, e muitos zero-quilômetro — modelos intermediários — podem ficar mais próximos dos seminovos equipados.
Varejo
Arcelio Júnior também destacou outra importante mudança no varejo automotivo brasileiro: o avanço das marcas chinesas dentro da própria estrutura das empresas.
Hoje, elas já respondem por cerca de 16% dos revendedores autorizados no país, com aproximadamente 1.380 unidades. E, em alguns estados, por mais de 40% do faturamento dos grupos.
A Fenabrave representa 8.533 concessionárias em 951 municípios, com mais de 383 mil empregos diretos, números que são atualizados todos os meses.
Fonte: CNN Brasil