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Transporte Aquaviário

Estreito de Ormuz: trânsito atinge o pico desde início da guerra

Diversos países estão negociando acordos com o Irã para a passagem segura de navios

08/04/2026 09h23

Foto: Divulgação

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz atingiu seus níveis mais altos desde os primeiros dias da guerra, em meio a aparentes acordos de salvo-conduto entre vários países e o Irã. No último fim de semana, 21 navios transitaram pela hidrovia, enquanto governos afetados pela escassez de energia negociam a saída de embarcações, cargas e tripulações do Golfo Pérsico, em um contexto que reafirma a influência de Teerã sobre o estreito. Desse total, 13 navios seguiram em direção ao Mar Arábico, representando o maior fluxo em dois dias desde o início de março, após semanas de queda no tráfego.

Os navios iranianos continuam a dominar o tráfego, mas no domingo, 5 de abril, um petroleiro carregado com petróleo bruto iraquiano passou pelo estreito depois que o Irã indicou que concederia uma isenção ao "irmão Iraque". A Índia — que negociou o trânsito de alguns navios e até recebeu gás liquefeito de petróleo (GLP) iraniano pela primeira vez em anos — já viu oito de seus petroleiros de GLP passarem pelo estreito.

Embora o número de navios ainda seja uma fração do que era antes do conflito, quando aproximadamente 135 embarcações transitavam diariamente, cada vez mais países estão conseguindo passagem. Na semana passada, dois navios porta-contêineres ligados à China conseguiram passar em sua segunda tentativa. Dois navios associados ao Japão também conseguiram. 

Navios-tanque de GNL tentam atravessar o Estreito

No entanto, dois navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, no Golfo Pérsico, mudaram seu destino para o Paquistão depois de aparentemente abortarem uma tentativa anterior de sair pelo Estreito de Ormuz.

Segundo dados de monitoramento de embarcações compilados pela Bloomberg, os navios “Al Daayen” e “Rasheeda” retornaram e se afastaram do estreito após terem se dirigido para ele. Esta foi a primeira tentativa de exportar esses combustíveis do Golfo Pérsico desde o início da guerra com o Irã. Ambos os navios carregaram GNL no terminal de exportação do Catar no final de fevereiro, de acordo com registros de navegação.

Até o momento, nenhum navio carregado com GNL atravessou o Estreito de Ormuz desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã no final de fevereiro. Não está claro se os navios tentarão cruzar o estreito novamente, e seus destinos não são definitivos, podendo o porto de escala mudar a qualquer momento. 

O navio “Al Daayen” havia indicado anteriormente a China como seu destino de entrega. O fechamento efetivo dessa importante via navegável, localizada entre o Irã e a Península Arábica, estrangulou o fluxo de energia para os mercados globais, afetando cerca de um quinto do fornecimento mundial de GNL. Outro navio-tanque, aparentemente sem carga, cruzou o estreito durante o fim de semana.

Cobrança de taxas 

Por outro lado, o Irã está avançando com uma lei que regulamenta seu controle sobre o estreito e as taxas de trânsito, uma medida que formaliza um sistema de pagamento específico que já está em vigor há semanas, segundo armadores. Enquanto Teerã negocia com países aliados, os termos desses acordos permanecem obscuros. Isso se mantém mesmo quando os contratos são reconhecidos publicamente, como aconteceu com o Iraque no fim de semana. É ainda mais evidente nos casos em que não está claro quais contrapartes conseguiram garantir a passagem segura, como é o caso dos navios ligados à França e ao Japão.

Na semana passada, o Paquistão recebeu uma oferta de 20 vagas para evacuar navios do Golfo, um número superior ao de embarcações atualmente retidas além do Estreito de Ormuz. O país está avaliando alternativas, incluindo assumir a operação de outros petroleiros e até mesmo possíveis mudanças no registro da bandeira, para garantir o fornecimento de fertilizantes, petróleo e outros insumos estratégicos. Enquanto isso, navios com ligações com a China, Turquia, Grécia e Tailândia também já concluíram a travessia do estreito.

Até agora, a maioria das embarcações autorizadas tem seguido uma rota aparentemente ditada por Teerã, navegando perto da costa iraniana. No entanto, um número crescente delas começou a optar pela rota oposta, mais próxima de Omã. Nesse contexto, o sultanato — que compartilha a jurisdição sobre as águas do estreito — confirmou no domingo, 5 de abril, que realizou conversas para facilitar a continuidade do tráfego marítimo.

Fonte: Mundo Marítimo