09/10/2026 07h36
Foto: Divulgação
O endividamento das famílias brasileiras caiu pela primeira vez desde dezembro de 2025. A parcela de famílias com dívidas teve um recuo tímido, passando de 82% em agosto para 81,7% em setembro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
No mesmo período, a inadimplência recuou entre as famílias que ganham até 3 salários mínimos e aumentou entre aquelas com renda acima de 10 salários mínimos, a única das quatro faixas de renda analisadas em que o indicador subiu.
O indicador vinha em trajetória de alta desde dezembro do ano passado, quando estava em 80,9%. A sequência de aumentos levou o endividamento ao pico de 82,2% em abril e maio.
A expectativa da CNC é que o endividamento das famílias termine o ano relativamente estável, em torno de 81,5%.
Diferença entre endividamento e inadimplência
Inadimplência recua, mas dívidas ficam mais tempo em atraso
A parcela de famílias com dívidas em atraso caiu de 29,9% em agosto para 29,6% em setembro. O resultado também foi melhor que o registrado um ano antes, quando 30,5% das famílias estavam inadimplentes.
O percentual de famílias que disseram não ter condições de pagar suas dívidas atrasadas ficou estável em 12,5% no mês, abaixo dos 13% registrados em setembro de 2025. Já a parcela de famílias consideradas muito endividadas caiu de 17,9% para 17,3%.
Apesar da melhora nesses indicadores, o tempo médio de atraso aumentou pelo segundo mês consecutivo. Em setembro, as dívidas estavam atrasadas, em média, por 65,3 dias, o maior período desde novembro de 2024, quando a média foi de 65,5 dias.
Além disso, 48,9% das dívidas em atraso estavam vencidas havia mais de 90 dias.
Para a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, os dados mostram uma melhora ainda pequena no quadro de endividamento. Ela avalia que um dos fatores pode ser o comportamento da renda, em um mercado de trabalho que continua resiliente.
Segundo ela, a redução também pode ter alguma relação com programas de renegociação de dívidas, como o Deserola Brasil 2, que permitem reorganizar pagamentos e alongar os prazos.
A economista não vê a queda dos juros como a principal explicação para o movimento.
Mais famílias sem dívidas, mas orçamento segue pressionado
A pesquisa também mostra um aumento na parcela de famílias que não têm dívidas a vencer. O percentual passou de 17,4% em agosto para 18,1% em setembro.
Ao mesmo tempo, o comprometimento da renda continua elevado. Em média, as famílias destinam 29,6% da renda ao pagamento de dívidas. Para 19,4% delas, mais da metade da renda mensal está comprometida, maior percentual desde fevereiro, quando havia sido de 19,5%.
Outro movimento observado pela pesquisa foi o aumento da participação das dívidas com vencimento superior a um ano. Elas representaram 33,8% do total em setembro.
Na avaliação de Juliana, prazos mais longos podem ajudar a reduzir o peso das parcelas no orçamento no curto prazo, mas também prolongam o período em que a família permanece comprometida com a dívida.
A renegociação, portanto, pode aliviar a prestação mensal sem necessariamente significar que a dívida desapareceu.
Fonte: g1