17/06/2026 09h16
Foto: Divulgação
Cerca de 3,3 milhões de trabalhadores já autorizaram as instituições financeiras a consultar seu saldo no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para o abatimento de R$ 3,88 bilhões em dívidas dentro do Desenrola 2.0 — programa para reduzir o endividamento da população brasileira.
Autorizar a instituição financeira a consultar o saldo não significa, necessariamente, que será feita a negociação com uso do FGTS.
Dos trabalhadores que fizeram o pedido, 94,3% são optantes do saque-aniversário, sendo que 86,9% tem antecipações de recursos ativas.
Esses pedidos ainda estão sendo avaliados pela Caixa Econômica Federal. O prazo para requerimento foi aberto em 25 de maio.
Até 12 de junho, segundo o Ministério do Trabalho, foi aprovada a liberação de R$ 10 milhões, referentes a 17,1 mil operações.
Os valores serão repassados aos bancos com os quais a dívida será abatida em 25 de junho.
Pelas regras do programa, as pessoas podem usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos. A estimativa é de que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores.
Desde o fim de maio, os trabalhadores já podem consultar o saldo do FGTS para utilizá-lo no Novo Desenrola. Esse é o primeiro passo para a utilização dos recursos para o abatimento de dívidas bancárias.
Como funciona
Desenrola 2.0
Lançado em maio, o programa prevê a renegociação de dívida, com descontos, e troca por uma dívida mais barata, tendo como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105.
Nele, são renegociadas dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
Os juros são de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto.
O governo está usando um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. Foram transferidos R$ 5,7 bilhões até o fim de maio, mas a operação está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Balanço divulgado no início de junho mostra que foram renegociados, até aquele momento, R$ 20 bilhões. Haviam sido feitas 1,4 milhão de renegociações, sendo que o desconto médio foi de 85% do valor original da dívida. Com isso, a dívida recuou de R$ 20 bilhões para R$ 2,7 bilhões.
Fonte: g1