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Transporte Aquaviário

Crise em Ormuz continua a pressionar as taxas de frete marítimo

O conflito está mantendo os custos de transporte elevados, enquanto a alta temporada começa a perder força

18/07/2026 11h30

Foto: Divulgação

Após várias semanas de uma escalada gradual dos ataques iranianos e da retaliação dos EUA — iniciada pouco depois da assinatura do Memorando de Entendimento destinado a reabrir o Estreito de Ormuz — a situação nesta via navegável estratégica retornou praticamente ao mesmo ponto anterior ao cessar-fogo.

O Irã mantém a posição de que o estreito permanece fechado para embarcações sem autorização iraniana que tentem transitar por rotas que não sejam o canal norte, e continua atacando navios que violam essas condições. Enquanto isso, os Estados Unidos retomarão o bloqueio a navios ligados ao Irã, suspenso há um mês, e afirmam que a navegação é possível pelo canal sul, na costa de Omã.

A isso se soma o anúncio do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos assumiriam o controle do estreito e imporiam uma taxa equivalente a 20% do valor de toda a carga transportada para compensar os custos militares associados, uma proposta cuja viabilidade continua sendo questionada.

Desvios e combustível

Para o transporte marítimo de contêineres, as consequências são semelhantes às observadas no início do conflito. A carga originária do Golfo ou destinada a ele continua dependendo de portos alternativos e corredores terrestres — rotas mais longas, mais congestionadas e mais caras.

Segundo o relatório Freightos Baltic Index, o frágil cessar-fogo levou algumas companhias de navegação a retomarem cautelosamente os serviços pelo Mar Vermelho, abrindo a possibilidade de recuperação da capacidade e redução das tarifas em geral. No entanto, o agravamento da crise poderá reverter essa tendência mais uma vez.

O principal impacto econômico do fechamento do Estreito de Ormuz continua concentrado nos custos de energia. O aumento do tráfego durante junho e julho ajudou a trazer os preços do petróleo de volta aos níveis pré-conflito e a moderar os preços do combustível marítimo. No entanto, a reinstalação das restrições elevou novamente o preço do petróleo bruto em cerca de 10%, enquanto os preços do combustível marítimo aumentaram aproximadamente 5%.

Embora o mercado de energia já tenha incorporado parte do risco associado a Ormuz, o que deve impedir um retorno aos níveis máximos atingidos durante as primeiras semanas do conflito, o aumento do custo do combustível continuará a pressionar as taxas de frete até que os preços se estabilizem.

A alta temporada domina o mercado.

Apesar do aumento nos preços dos combustíveis, o principal fator que influencia as tarifas continua sendo a forte demanda típica da alta temporada.

O avanço das remessas desde meados de maio — impulsionado pela antecipação de cargas em função das mudanças tarifárias no comércio transpacífico e pela expectativa de custos mais altos decorrentes da crise de Ormuz — manteve os navios com altos níveis de ocupação e agravou o congestionamento nos principais portos.

Como resultado, o Índice Báltico da Freightos indica que as tarifas entre a Ásia e a Europa aumentaram em cerca de US$ 3.000 por FEU em apenas seis semanas, atingindo US$ 5.800/FEU para o norte da Europa e US$ 7.200/FEU para o Mediterrâneo.

No comércio transpacífico, as taxas de frete aumentaram cerca de US$ 4.000 por FEU desde maio, atingindo US$ 7.500/FEU para a Costa Oeste dos EUA e mais de US$ 9.000/FEU para a Costa Leste.

Embora as companhias de navegação tenham programado novos Aumentos Gerais de Tarifas (GRIs) para meados do mês, já surgem sinais de uma esperada moderação na demanda. Relatórios de mercado indicam maior disponibilidade de espaço e descontos oferecidos por algumas empresas, enquanto a NRF projeta uma queda mensal de 10% nas importações em agosto e um declínio semelhante em setembro.

Fonte: Mundo Marítimo