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Transporte Aquaviário

Comércio de navios porta contêineres permanece forte

A escassez de embarcações disponíveis para venda e a firmeza das taxas de frete e afretamento sustentaram os preços dos ativos

15/07/2026 15h11

Foto: Divulgação

O mercado de compra e venda de navios porta-contentores usados ​​manteve um tom positivo durante o primeiro semestre do ano, apesar de registrar uma queda significativa no número de transações em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo a Alphaliner, entre janeiro e junho, 126 embarcações com capacidade combinada de 351.734 TEUs mudaram de mãos, em comparação com 199 transações, totalizando 513.000 TEUs, concluídas no primeiro semestre do ano anterior.

O volume de negócios também ficou abaixo do registrado no segundo semestre de 2025, quando foram vendidos 144 navios porta-contêineres com capacidade total de 479.324 TEUs.

Segundo a Alphaliner, a redução na atividade não se deveu à diminuição do interesse dos compradores, mas principalmente à disponibilidade limitada de embarcações para venda. "Os armadores preferem manter seus navios e continuar operando-os de forma lucrativa, em vez de obter ganhos pontuais com a venda", observa a análise.

A consultoria acrescenta que a solidez dos mercados de frete e afretamento manteve uma demanda robusta por embarcações de todos os portes, contribuindo para a manutenção dos valores de mercado dos navios, independentemente de sua capacidade ou idade.

Aquisições

As companhias de navegação continuaram sendo as principais compradoras de ativos de segunda mão. Durante o primeiro semestre do ano, elas adquiriram 61 dos 126 navios negociados, o que equivale a 48% do total de transações, embora essa participação tenha sido ligeiramente inferior aos 55% registrados no mesmo período de 2015.

Mais uma vez, a MSC liderou o mercado com a aquisição de 23 navios, 21 dos quais pertenciam a armadores não operadores (NOOs). Dentre essas transações, destacaram-se quatro revendas de novos navios porta-contêineres de 4.300 TEUs adquiridos de armadores chineses.

No entanto, a empresa de transporte marítimo diminuiu o ritmo de compras em comparação com o primeiro semestre de 2025, quando adicionou 38 navios de segunda mão.

Por outro lado, a CMA CGM, tradicionalmente uma das principais compradoras do mercado, registrou apenas uma aquisição durante o período, bem abaixo das 19 concluídas no ano anterior.

A Alphaliner também destaca que várias companhias de navegação optaram por adquirir navios que já operavam sob contratos de afretamento. Entre elas, a Maersk adquiriu três navios porta-contêineres de 13.000 TEUs e dois de 5.000 TEU, enquanto a Evergreen tornou-se proprietária dos navios “EVER GIFTED” e “EVER GENIUS”, com capacidade para 20.124 TEUs, os maiores navios de segunda mão vendidos até o momento neste ano.

No segmento NOO, a atividade foi mais moderada devido aos altos preços dos ativos e à escassez de embarcações disponíveis. O comprador mais ativo foi a MPC Container Ships, que adicionou quatro modernos navios porta-contêineres SDARI Sealion 7000 com capacidade para 7.092 TEUs.

Predominam os navios menores e mais antigos

O relatório mostra que a idade média dos navios vendidos permaneceu alta, atingindo 17 anos, um nível semelhante ao observado durante o primeiro semestre de 2025.

O segmento mais ativo correspondeu a navios com idade entre 15 e 19 anos, com 51 operações de compra e venda, enquanto também houve 25 vendas de navios com idade entre 20 e 24 anos e outras 16 de navios com 25 anos ou mais.

Em termos de capacidade, o mercado continuou a concentrar-se em navios porta-contentores com menos de 3.000 TEUs, que representaram 94 das 126 transações registadas.

Perspectiva enfrenta riscos crescentes

Apesar da resiliência do mercado, a Alphaliner alerta que as perspectivas de médio prazo apresentam desafios significativos. A consultoria estima que, entre 2027 e 2028, aproximadamente 1.000 novos navios porta-contêineres, com capacidade combinada de 8,5 milhões de TEUs, entrarão no mercado, um volume que supera em muito os padrões históricos.

"A menos que a demanda por carga continue a crescer fortemente, o desmantelamento de navios aumente significativamente e a navegação em velocidade reduzida se expanda, os riscos de uma grave sobrecapacidade são muito reais", alerta a consultoria.

O texto também argumenta que um possível retorno em massa das linhas de navegação ao Canal de Suez poderia liberar capacidade adicional, reduzindo os tempos de trânsito. Caso esse cenário se concretize, "poderia exercer uma pressão significativa sobre os mercados de frete e afretamento", enfraquecendo a demanda por embarcações de segunda mão e impactando negativamente seu valor.

Fonte: Mundo Marítimo