15/10/2026 10h10
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A consultoria global Cirium divulgou sua mais recente projeção para o mercado de aviação comercial, estimando a entrega de aproximadamente 43 mil novas aeronaves de passageiros e cargueiros entre 2026 e 2045.
O valor dessas entregas deve alcançar US$ 3,2 trilhões (em valores de 2026), refletindo o apetite contínuo das companhias aéreas por expansão e renovação de frota, ainda que a previsão venha em ritmo menor do que estimativas anteriores.
De acordo com o Cirium Fleet Forecast, a demanda de longo prazo por aviões segue robusta, mesmo diante de custos elevados de combustível e incertezas geopolíticas. O total divulgado para este ano representa uma ligeira queda em relação ao relatório anterior, de 2025, quando a expectativa era de 46.500 entregas, avaliadas em US$ 3,4 trilhões.
Apesar das boas perspectivas para as próximas duas décadas, o estudo alerta para as restrições de produção, apontando que a capacidade de entrega do setor depende criticamente da resiliência da cadeia de suprimentos, disponibilidade de motores e de sistemas produtivos escaláveis. Fatores como gargalos logísticos, atrasos na certificação, incertezas econômicas e geopolíticas, além de pressão de custos, continuam impactando o ritmo de crescimento do setor.
Segundo Stephen Burnside, diretor global da Cirium Ascend Consultancy, a pesquisa deste ano incorporou ainda mais dados do mundo real e ferramentas interativas para possibilitar uma análise detalhada das projeções de frota, entregas e aposentadorias de aeronaves nos próximos anos.
De acordo com o levantamento, a frota global de passageiros deve ultrapassar a marca de 50 mil aviões até 2045, com crescimento médio anual de 3,2%, pouco abaixo da previsão anterior (3,3%). O desequilíbrio entre oferta e demanda, vivido nos últimos cinco anos, deve persistir ao longo dos anos 2020, aumentando a pressão sobre a capacidade industrial.
O relatório também destaca a importância da Ásia para o futuro do setor. China, Índia e a região Ásia-Pacífico respondem por cerca de 48% da alocação da frota projetada. Airbus e Boeing concentram, juntas, 86% desse total (com 47% e 39%, respectivamente), enquanto a chinesa COMAC responde por 5%. Jatos de corredor único (single-aisle) compõem hoje 76% das previsões da frota global, sendo o modelo A321neo o destaque individual, com 16% de participação.
No segmento de carga, a perspectiva é de resiliência, especialmente devido à demanda do e-commerce, transporte de mercadorias de alto valor e logística urgente, mesmo diante de turbulências no comércio internacional.
Embora existam esforços na direção de combustíveis sustentáveis, a Cirium aponta que os modelos convencionais a turbina a gás continuarão sendo a base da frota mundial durante o período analisado. A renovação de frota e o avanço em eficiência de motores e aeronaves são vistos como as principais estratégias para contenção do consumo de combustível.
Fonte: Aeroin