15/02/2026 09h59
Foto: Chevrolet - divulgação
A Chevrolet Captiva foi um enorme sucesso nos anos 2010, quando os SUVs ainda começavam a se tornar mania no Brasil. Quando a montadora anunciou que o modelo voltaria, muita gente imaginou um carro diferente do que acabou surgindo.
A Captiva que o público conhecia não existe mais. Oito anos depois de sair de linha, o modelo retorna com uma proposta totalmente diferente: um SUV é 100% elétrico e voltado a quem busca mais tecnologia, mais espaço interno e um custo menor para rodar no dia a dia.
Mais que isso, o lançamento é a segunda resposta da GM ao avanço dos carros elétricos chineses no mercado brasileiro.
Design típico chinês
O visual da nova Captiva bebe claramente da fonte dos modelos chineses, a ponto de seguir uma cartilha de design já conhecida:
Mesmo com o foco no design e nos concorrentes chineses, a Captiva traz um tempero que não destoa tanto dos outros modelos da Chevrolet. Isso fica evidente na dianteira, que, mesmo sem uma entrada de ar funcional, posiciona o logo da marca em uma peça plástica que remete à grade de um carro a combustão.
A entrada de ar abaixo do logo — essa, sim, funcional — traz detalhes que reforçam a sensação de um conjunto maior, mais próximo do visual de carros ocidentais.
Além disso, o desenho da iluminação em LED, que parece passar por trás de um elemento metálico antes de se integrar aos faróis, acrescenta personalidade a um carro que, na prática, nasceu na China como Wuling Starlight S e chegou ao Brasil como Captiva.
Por dentro, porém, tudo muda. É no interior que aparecem as transformações mais profundas, inclusive na definição de público que a Chevrolet busca para o modelo. O ambiente é claramente mais tecnológico e essa inspiração vem direto da China.
As semelhanças com rivais chineses, como o BYD Yuan Plus, aparecem no forte minimalismo, que reduz ao máximo os botões físicos — raros até no volante — e concentra quase todos os comandos do ar-condicionado na central multimídia. E é impossível não reparar nela.
São 15,6 polegadas, maiores do que as telas de muitos concorrentes chineses que apostam em displays giratórios. Para se ter uma ideia, esse tamanho supera o de muitos notebooks e se aproxima até dos modelos mais exagerados do universo gamer, que normalmente chegam a 17 polegadas.
Uma tela grande pode acabar evidenciando limitações nas câmeras de 360 graus, mas, neste caso, a junção das imagens para criar o efeito de “planeta” está alinhada ao que se espera de um carro com foco em tecnologia.
A Captiva ficou maior
Além do visual, do conforto e da tecnologia de inspiração chinesa, o SUV também cresceu. Em comparação com a última versão vendida no Brasil, a nova Captiva é 26,9 centímetros mais longa e ganhou 10 centímetros no entre-eixos.
Com isso, o porta-malas passou de 383 para 403 litros, e o espaço interno segue amplo o suficiente para que cinco pessoas viajem com conforto, sem a preocupação de encostar os joelhos no banco da frente.
Esse comprimento supera o de um Volkswagen Tiguan, se aproxima dos 4,77 metros do Jeep Commander e dos 4,79 metros do Toyota SW4. Vale lembrar que esses dois modelos acomodam sete pessoas, enquanto a Captiva opta por seguir com cinco ocupantes, privilegiando mais espaço para cada um.
O bom aproveitamento interno, favorecido pelo menor espaço ocupado pelo conjunto elétrico, faz com que a Captiva EV seja apenas três centímetros mais curta que o Jeep Commander, sem transmitir a sensação de “ônibus” que o rival americano costuma passar.
A Chevrolet Captiva EV não se dirige ao mesmo público do modelo vendido no passado. Isso acontece, primeiro, pela troca do motor a combustão por um conjunto elétrico e, segundo, por estrear em um mercado que hoje oferece SUVs de todos os preços e tamanhos, com opções a partir de menos de R$ 100 mil.
Da Captiva antiga, permanece apenas a percepção de que se trata de um utilitário voltado a quem quer ou precisa de espaço. A geração anterior já era maior que um Ford EcoSport, por exemplo, mas agora oferece dimensões próximas às de um SUV de sete lugares.
Para quem já não é solteiro, tem filhos e costuma viajar, trata-se de um carro com poucos concorrentes diretos. E, se além disso o consumidor valoriza tecnologia e um visual mais moderno, a Captiva consegue se equiparar aos modelos chineses, com o diferencial de levar o peso de uma marca com 100 anos de atuação no Brasil.
Fonte: g1