05/10/2026 09h54
Foto: Divulgação
Na concessionária Denza do Grupo Saga, em Brasília, um Z9 GT foi conectado ao novo carregador ultrarrápido do Grupo BYD com 10% de carga na bateria. Apenas 9 minutos e 29 segundos depois, o indicador já marcava 97%. A demonstração inaugurou o sistema Flash Charging no Brasil.
Brasília já reúne cerca de 200 pontos de recarga rápida em corrente contínua. O novo equipamento, porém, entrega uma potência nominal bem superior à dos carregadores rápidos hoje disponíveis no país: são até 1.500 kW, ou 1,5 megawatt.
Na prática, esta fica limitada a 1.000 kW pelas especificações dos conectores de padrão europeu CCS2, que são utilizados no Brasil. Mesmo assim, isso equivale a cerca de 12 a 17 vezes a potência dos carregadores rápidos de 60 a 80 kW hoje disponíveis no país.
Até agora, os carregadores mais rápidos disponíveis em concessionárias do país eram os de 350 kW, da Porsche, que permitem reabastecer a bateria do Taycan de 10% a 80% em 18 minutos.
Por enquanto, o Denza Z9 GT é o único modelo à venda no Brasil preparado para explorar todo o potencial do Flash Charging, graças à sua plataforma de alta tensão e³ e à segunda geração da bateria Blade (CTB), que suportam esse fluxo massivo de energia sem superaquecer.
Embora a estação de até 1.500 kW traga um conector CCS2 compatível com qualquer carro elétrico comum do mercado nacional, o carregador operará “em velocidade normal” ao ser plugado em outros modelos.
A maioria dos carros elétricos premium e de volume vendidos no Brasil opera exatamente nessa faixa de limitação física (150 a 250 kW de pico em corrente contínua), o que significa que eles carregarão normalmente, mas sem nenhum ganho de tempo, deixando o desempenho surreal de 10% a 70% de recarga em 5 minutos como uma exclusividade temporária do superesportivo chinês.
Um banco de baterias
O sistema instalado em Brasília custa R$ 1,8 milhão. Para entregar tanta potência sem exigir que a rede elétrica forneça tudo naquele instante, utiliza um grande banco de baterias estacionárias. O conjunto emprega as mesmas baterias Blade usadas no Z9 GT, com capacidade equivalente à de quatro baterias do carro.
O funcionamento lembra o de uma caixa-d’água: o reservatório pode receber um fluxo menor ao longo do tempo e atender, por algum período, a uma demanda maior. No Flash Charging, as baterias acumulam energia da rede e a liberam em alta potência quando um veículo é conectado.
Isso amplia as possibilidades de instalação em locais onde a rede não conseguiria alimentar diretamente um carregador dessa potência. Não elimina, porém, a necessidade de reposição da energia armazenada.
A capacidade de atender a recargas sucessivas depende da carga disponível no banco, da energia transferida a cada carro e da potência da ligação com a rede. No caso do Z9 GT, poderiam ser reabastecidos quatro carros consecutivamente.
O comunicado da BYD não informa quanto tempo o armazenamento instalado em Brasília leva para recuperar sua carga. Também é preciso distinguir potência máxima de potência mantida durante toda a sessão. A recarga varia conforme o nível de carga e a temperatura da bateria, entre outros fatores.
Na demonstração em Brasília, o Z9 GT recuperou 87 pontos percentuais em 9 minutos e 29 segundos. A BYD anuncia, para veículos compatíveis, cinco minutos de 10% a 70% e nove minutos de 10% a 97%.
O resultado acompanhado pela reportagem ficou próximo dessa referência, mas corresponde às condições daquela sessão — e não a um tempo garantido em qualquer situação.
Sistema em expansão
Segundo a BYD, Brasília recebeu a primeira instalação do Flash Charging em operação comercial nas Américas. A fabricante já tem cerca de 10 mil estações na China e pretende instalar mil carregadores ultrarrápidos no Brasil até o fim de 2027.
A infraestrutura antecipa a chegada de veículos capazes de receber potências maiores.
Fonte: Inside Evs