18/08/2026 11h27
Foto: Divulgação
Os brasileiros investem mais em criptomoedas do que em títulos públicos, CDBs, dólar, ouro e até ações. É o que mostra a 2ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas, realizada pelo Datafolha em parceria com a Paradigma e divulgada nesta terça-feira (18).
De acordo com o estudo, bitcoin e altcoins – termo usado para identificar qualquer criptomoeda diferente do BTC – só ficam atrás de poupança, imóveis, dinheiro em casa e fundos de investimento entre as aplicações mais utilizadas pelos brasileiros.
No total, cerca de 29 milhões de brasileiros, o equivalente a 17,2% da população com mais de 16 anos, já investiram em criptomoedas. O número é maior do que a torcida do Corinthians.
“O aumento da sensibilização para as criptomoedas e a expansão da adoção mostram que o mercado brasileiro está amadurecendo”, diz Fabio Plein, diretor regional da Coinbase para as Américas.
Aplicativo de banco é a principal porta de entrada
A pesquisa também mostra que o investimento em cripto está mais “bancarizado”, diferente do que ocorria nos primórdios do mercado e também mais recentemente, com a chegada das corretoras.
Atualmente, 83% de quem já colocou dinheiro em criptomoedas fez isso por meio de aplicativos de bancos. Outros 26% utilizaram autocustódia – ou seja, uma carteira própria -, 20% investiram por meio de exchanges e 18% via fundos e ETFs. Como os entrevistados podiam indicar mais de uma opção, os percentuais não somam 100%
“4,2 vezes mais brasileiros tiveram cripto nos eu banco do que numa exchange”, diz o material.
Quem investe em cripto
O estudo também revela que 31,6% dos investidores brasileiros em criptomoedas ganham até um salário mínimo; 31,9%, de um a dois salários mínimos; 14,2%, de dois a três; 11,8%, de três a cinco; e apenas 10,6% ganham mais de cinco salários mínimos.
O conhecimento sobre criptomoedas também varia de acordo com a escolaridade. Entre os brasileiros com ensino superior, 89,7% dizem conhecer os ativos, ante 76% daqueles com ensino médio e 38% entre os que têm ensino fundamental.
Dentro da parcela de brasileiros que conhecem criptomoedas, 59% acreditam que elas são uma boa forma de diversificar investimentos.
“É natural que, conforme o usuário passa a confiar mais na tecnologia e a adotar os criptoativos no dia a dia, ele passe a exigir representatividade”, diz Julia Rosin, diretora-presidente da ABCripto.
A pesquisa foi realizada entre 11 e 14 de maio de 2026 com 2.004 entrevistados em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O universo da pesquisa é de 168,9 milhões de brasileiros com mais de 16 anos.
Outros destaques do mercado cripto
Encontro na gringa. Os xerifes do mercado de capitais do Brasil – o presidente Otto Lobo e o superintendente José Alexandre Vasco, da CVM – se reuniram com a CFTC, a agência dos EUA responsável por regular e supervisionar o mercado de derivativos financeiros do país. Adivinhem qual assunto entrou na pauta? A tokenização, o processo de transformar ativos tradicionais em tokens registrados em uma blockchain.
Strategy vende ações e reforça caixa. A Strategy, maior tesouraria cripto do mundo, vendeu US$ 333,7 milhões em ações MSTR entre 10 e 16 de agosto, segundo documento enviado à SEC (a CVM dos EUA). Os recursos foram usados para bancar dividendos e recompras de ações preferenciais, além de elevar a reserva em dólares da empresa para US$ 4,8 bilhões. No período, a companhia não comprou nem vendeu bitcoin e manteve seus 840.447 BTC, adquiridos a um preço médio de US$ 75.385 por moeda.
EUA avançam na regulamentação das stablecoins. O Tesouro dos EUA apresentou uma proposta para definir quem poderá emitir stablecoins e como será aplicada a nova lei que regulamenta o setor no país, a GENIUS Act. O texto ficará aberto a comentários por 60 dias e ainda precisa passar por novas etapas antes de virar regra definitiva. A proposta chega enquanto o governo corre para concluir a regulamentação e a indústria acompanha de perto como as novas regras vão afetar emissores estrangeiros, como a Tether.
Fonte: InvestNews