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Gestão

Brasil lidera adoção de IA na gestão de contratos

Segundo levantamento da Deloitte e Docusign, 87% das empresas brasileiras já utilizam IA nos fluxos contratuais

01/06/2026 14h55

Foto: Divulgação

Pesquisa da Deloitte em parceria com a Docusign mostra que 87% das empresas brasileiras já utilizam Inteligência Artificial na gestão de contratos. O levantamento também aponta que a adoção da tecnologia vem trazendo ganhos médios de 36% em eficiência operacional e redução equivalente nos custos relacionados ao processo contratual.

O estudo inédito “Capitalização da IA: Como os fluxos de trabalho de acordos automatizados impulsionam o ROI” ouviu mais de 1.100 executivos em seis países, incluindo o Brasil, e conclui que a Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma tendência para assumir papel estratégico na redução da burocracia corporativa e na modernização da gestão de acordos.

O Brasil aparece entre os mercados com maior nível de adoção da tecnologia. Segundo a pesquisa, 87% dos líderes empresariais afirmam que suas organizações já utilizam algum tipo de IA — assistida, automatizada ou agêntica — nos fluxos de trabalho relacionados a contratos.

A confiança dos executivos brasileiros na tecnologia também é elevada: 58% dos entrevistados disseram ter confiança “alta” ou “muito alta” na capacidade da IA de identificar riscos regulatórios locais. Além disso, 38% dos líderes acreditam que o retorno total sobre o investimento (ROI) em IA será alcançado nos próximos dois anos.

Os impactos práticos da adoção da tecnologia também aparecem nos indicadores operacionais. As empresas relataram redução média de 14 horas — ou 29% — no ciclo de vida dos contratos, além de ganhos em qualidade documental. Cerca de 66% dos entrevistados apontaram aumento na precisão dos documentos, especialmente na padronização e consistência das cláusulas contratuais.

Para Marcelo Salles, vice-presidente de Vendas da Docusign no Brasil, a IA já se consolidou como elemento essencial para competitividade empresarial.

“A Inteligência Artificial deixou de ser diferencial para se tornar requisito competitivo. As organizações que avançaram nessa jornada já não discutem o que é possível fazer — discutem o que, de fato, gera valor e resultados concretos”, afirma.

Segundo o executivo, a busca por soluções baseadas em IA também vem acelerando a adoção da plataforma IAM da Docusign no país.

“Esse tipo de tecnologia permite automatizar o ciclo de vida do contrato de ponta a ponta, acelerando processos e extraindo valor estratégico dos acordos, inclusive para desafios complexos como a Reforma Tributária”, completa Salles.

Forma de implementação da IA influencia resultados

Em nível global, o estudo aponta que a forma de implementação da IA influencia diretamente os resultados obtidos pelas empresas. Organizações que utilizam plataformas integradas de gestão contratual, cobrindo todas as etapas do ciclo de vida dos acordos, registram ROI 29% superior em comparação àquelas que trabalham com sistemas fragmentados.

A pesquisa também indica que a próxima etapa da transformação digital no setor será o uso de IA para gerar inteligência de negócios a partir de contratos já assinados. Atualmente, 61% das empresas globais ainda realizam esse processo manualmente.

Ineficiência contratual gera perdas bilionárias

O relatório reforça ainda os impactos financeiros da má gestão de contratos. Segundo levantamento anterior da Deloitte para a Docusign, divulgado em 2024, as ineficiências na gestão de acordos geram perdas de quase US$ 2 trilhões por ano na economia global, reduzindo produtividade e oportunidades de receita.

Na América Latina, as perdas estimadas variam entre US$ 140 bilhões e US$ 170 bilhões anuais.

O estudo destaca que duas em cada cinco empresas no mundo buscam soluções mais inteligentes para gestão contratual. Tradicionalmente concentrada em acordos altamente negociados, a gestão de contratos tende agora a incorporar também processos como ordens de compra, renovações de fornecedores e outros fluxos operacionais.

Sobre a pesquisa

O levantamento entrevistou mais de 1.100 executivos seniores — entre diretores, vice-presidentes e C-levels — das áreas de vendas, jurídico, recursos humanos, tecnologia da informação e compras.

A pesquisa abrangeu empresas da Austrália, Brasil, França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Fonte: Movimento Econômico