31/08/2026 11h20
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A influência da Ásia, com a China e a Índia como principais referências, está emergindo como o principal eixo de transformação do transporte marítimo internacional, de acordo com os resultados do Global Shipping Outlook 2026, elaborado pela Kapa Research a partir de uma pesquisa com 314 armadores e altos executivos de empresas de navegação.
Segundo o estudo, 76% dos participantes acreditam que “o Oriente será a força mais influente no transporte marítimo global nos próximos anos. Em contrapartida, 17% identificam o Ocidente, composto na pesquisa pelos Estados Unidos, União Europeia, Japão e Canadá, como o principal centro de influência”, afirma a pesquisa divulgada pela Baltic Exchange.
A China responde por uma parcela significativa dessa percepção. 69% dos entrevistados a identificam como a principal nação construtora naval do mundo, enquanto 62% consideram que ela possui a frota mais competitiva. Além disso, 72% atribuem a ela o maior peso econômico no transporte marítimo global.
O valor atribuído ao papel da China também se reflete na importância que os executivos conferem ao país para o desenvolvimento do setor. Noventa e seis por cento dos participantes acreditam que a China desempenha um papel significativo no fortalecimento do transporte marítimo global, em comparação com 79% para a União Europeia e 73% para os Estados Unidos.
Diferenças na gestão marítima
As percepções sobre a China variam quando se avaliam aspectos relacionados à gestão e experiência marítimas.
Embora 62% dos entrevistados acreditem que “a China possui a frota mais competitiva”, apenas 17% indicam que “a gestão marítima chinesa tem a melhor reputação internacional”. Nesse aspecto, a Grécia se destaca como a principal referência: 42% dos participantes consideram a experiência grega em gestão marítima a mais notável.
Os resultados distinguem, portanto, entre indicadores associados à capacidade industrial e econômica, onde a China obtém as classificações mais altas, e aqueles relacionados à experiência operacional e à gestão, nos quais os centros marítimos tradicionais continuam a se destacar.
A pesquisa também mostra uma avaliação favorável do presidente chinês Xi Jinping. Ele recebeu 63% de opiniões favoráveis e 19% de opiniões desfavoráveis, resultando em um saldo positivo de +44 entre os participantes.
Geopolítica e perspectivas da indústria
A mudança na percepção de influência em direção ao Oriente ocorre em um contexto de crescente incerteza geopolítica. 76% dos executivos entrevistados identificaram as crises relacionadas à Ucrânia, ao Mar Vermelho e ao Oriente Médio como os principais desafios que o transporte marítimo global enfrenta atualmente.
Apesar desse cenário, 70% acreditam que as condições do transporte marítimo global melhoraram nos últimos cinco anos, enquanto 94% mantêm uma perspectiva positiva em relação ao futuro de suas próprias empresas.
Em relação aos fatores que moldarão a evolução do setor, 70% dos entrevistados apontam para a tensão entre as regulamentações ambientais e a competitividade. Além disso, 53% citam a competição entre os interesses do setor naval ocidental e asiático.
A descarbonização também está ligada às diferenças entre os dois blocos. 55% acreditam que “a inclusão do transporte marítimo no Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia afeta a competitividade europeia mais do que contribui para a descarbonização”. Além disso, 68% estão pessimistas quanto ao alcance da meta de emissões líquidas zero da Organização Marítima Internacional até 2050.
Digitalização e uso da inteligência artificial
Em termos de tecnologia, a pesquisa mostra uma adoção mais ampla de ferramentas digitais. Sistemas de monitoramento remoto são utilizados por 73% das empresas participantes, enquanto ferramentas de otimização de viagens atingem 72% e tecnologias de manutenção preditiva, 55%.
O uso intensivo de inteligência artificial ainda é limitado: apenas 7% das organizações relatam utilizá-la amplamente. No entanto, os executivos entrevistados esperam que seu maior impacto seja na gestão de frotas e na tomada de decisões de negócios.
Fonte: Mundo Marítimo