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Artigo

As seis principais tendências da logística em 2022

Luís Eduardo Ribeiro

29/03/2022 06h07

Foto: Divulgação

A recente pandemia de covid-19 afetou todas as partes da cadeia de valor, desde o fornecimento de matéria-prima até o cliente final. A resiliência comercial, operacional, financeira e organizacional da maioria das empresas em todo o mundo foi testada em seu limite.

Abaixo estão seis tendências. Trata-se das principais estratégias que estão sendo rapidamente implantadas pelas principais organizações para ajudar a criar resiliência e agilidade.

Custos elevados de distribuição

Os principais insumos na cadeia logística vêm subindo e isso continuará. Em alguns países, falta mão de obra para transporte rodoviário e nos portos. No Brasil, estamos com o diesel mais caro, inflação crescente em geral e custo de capital elevado. Tudo isso representa uma tendência inflacionária e exigirá maior foco em eficiência operacional em todos os níveis do Supply Chain.

Redesenho da malha logística

A pandemia levou os fabricantes a redesenhar cadeias de suprimentos em prol de reduzir incertezas e de localizar o estoque mais próximo dos clientes. Empresas com mais fornecedores locais e aquelas que se mexeram antes da pandemia para ampliar as cadeias de suprimentos estão se saindo melhor do que outras com logística global mais complexa.

Muitas empresas têm fortes relacionamentos com um grande fornecedor e/ou um grande parceiro da cadeia de suprimentos. À medida que caminhamos para a realidade pós Covid-19, fica clara a necessidade de estruturar melhor suas redes de fornecimento, identificando parcerias comerciais alternativas. Organizações estão buscando uma lista mais ampla de fornecedores, “planos B” para continuidade dos negócios- inclusive de transporte e logística.

Inclui-se também a revisão da localização de fábricas e centros de distribuição. Isso vai criar uma rede de suprimentos mais diversificada e fortalecida de ponta a ponta, com maior potencial de mitigação de riscos.

Estoques como “pulmão” para riscos prolongados

O impacto prolongado dos fechamentos de plantas devido à Covid-19, custos elevados de insumos e escassez de mão-de-obra estão forçando as empresas a questionar crenças antigas sobre a produção “just in time” – considerando riscos com fornecedores, gargalos de distribuição e interrupções causadas por falta de componentes críticos no estoque. A tendência do momento é reforçar estoques de segurança e garantir atendimento aos clientes para que o fluxo de caixa é prejudicado.

Investimento dobrado em tecnologia, gestão de riscos e automação para dados confiáveis

Assim como os bancos foram forçados a investir em dados consolidados e painéis de risco em tempo real após a crise financeira global, os problemas da cadeia de suprimentos deste ano levaram muitas empresas a investir mais em gerenciamento de risco. Às vezes, o gargalo está a três ou quatro níveis de distância. Variações bruscas de demanda aumentam em um ambiente de incerteza.

Tudo isso leva à busca das ferramentas mais confiáveis de planejamento de demanda e forecast. As organizações líderes estão usando tecnologias avançadas para melhorar significativamente a visibilidade e, assim, tornar-se muito mais responsivas em tempo rápido a grandes interrupções e variabilidades em suas cadeias de suprimentos domésticas, regionais e globais.

Foco renovado na sustentabilidade

É claro que a covid-19 não é a única crise que está mudando a maneira como pensamos a logística. As mudanças climáticas estão em primeiro lugar nessa lista há anos, e essas preocupações não foram embora. Mais do que nunca, a sustentabilidade na cadeia de suprimentos precisa se tornar uma questão de eficiência e otimização.

Isso pode começar com algo tão simples quanto a otimização de rotas para o transporte de última milha – um processo que pode reduzir significativamente o consumo de combustível – mas também precisa incluir uma abordagem mais holística para encontrar e mitigar ineficiências em toda a cadeia de suprimentos.

Empresas abraçam a necessidade de velocidade

A pandemia recompensou as empresas que conseguiram se mover rapidamente e puniu as que não conseguiram. A agilidade agora é discutida como algo inegociável. Mas ser capaz de reagir com rapidez também é uma questão de cultura. Para sustentar a velocidade, as empresas devem incorporar a inovação nos seus processos, em todos os níveis e áreas.

Enquanto antes o gerenciamento da cadeia logística era principalmente sobre redução de custos, as organizações agora precisam de ajuda para equilibrar as necessidades de melhorar a resiliência com foco no cliente, reduzir as emissões de carbono e manter os custos em um nível competitivo.

O mundo continua de olho naquela área que coloca os produtos na porta da sua casa: a logística, é claro!

Luís Eduardo Ribeiro é Gerente Regional de Operações da Martin Brower, líder global em soluções logísticas de ponta a ponta para redes de restaurantes. Liderou a supply chain de empresas como DHL, Carrefour, Ponto Frio, bioMérieux etc. Em 2016, planejou e executou a logística de alimentos para as Olimpíadas RIO-2016. Recebeu Moção de Reconhecimento da Assembleia Legislativa do RJ pelos serviços prestados como Administrador de Empresas. Foi eleito Profissional de Logística do Ano pela Revista Mundo Logística.

Publicado: Revista Mundo Logística

O conteúdo dos artigos é de responsabilidade dos seus autores. Não representa exatamente a opinião do MODAIS EM FOCO.