06/08/2026 11h27
Foto: Divulgação
A Aliança Navegação e Logística, que iniciará suas operações no novo Terminal de Uso Privativo (TUP) da APM Terminals, em Suape, possivelmente a partir deste semestre ainda, está bastante otimista em relação à navegação de cabotagem na costa do Nordeste.
A companhia prevê que a cabotagem volte a registrar crescimento de dois dígitos em 2027, impulsionada pela busca das empresas por redução de custos, maior previsibilidade logística e alternativas ao transporte exclusivamente rodoviário.
A projeção é de Roberto Duque, executivo da companhia, em entrevista ao Movimento Econômico durante a feira Intermodal Nordeste 2026, durante a feira Intermodal Nordeste 2026. Segundo ele, o Nordeste ocupa uma posição estratégica nas operações da Aliança e apresenta condições para crescer acima da média nacional nos próximos anos.
A cabotagem utiliza navios para transportar cargas entre portos de um mesmo país. No caso da Aliança, boa parte da operação também inclui o transporte rodoviário entre as fábricas, os terminais portuários e o destino final das mercadorias.
De acordo com Duque, a companhia vem registrando crescimento de dois dígitos. “A gente cresceu 12% no ano passado. Neste ano, estamos vendo a cabotagem chegar perto de 10%, e a perspectiva para o ano que vem é crescer novamente dois dígitos”, afirmou.
A importância do NE para a Aliança
O executivo explicou que o Nordeste já era a segunda região mais importante para as operações da companhia, atrás de Manaus, e ganhou maior relevância com as mudanças no mercado de transporte rodoviário.
Entre os fatores apontados estão a política de pisos mínimos de frete, o aumento dos custos logísticos e a necessidade de as empresas encontrarem alternativas para movimentar mercadorias por longas distâncias, além do risco de roubo de cargas.
Segundo Duque, a região apresenta, atualmente, maior equilíbrio entre os fluxos de entrada e saída de cargas. Antes, a Aliança maior volume de mercadorias transportadas em direção ao Nordeste. Agora, também cresce a movimentação no sentido contrário.
“A gente tinha bastante carga de subida. Agora, temos subida e descida, o que gera um balanceamento melhor para a operação”, declarou.
Esse equilíbrio é relevante para o transporte marítimo porque reduz a circulação de contêineres vazios e melhora o aproveitamento dos navios nos dois sentidos da rota.
Além do crescimento da atividade econômica, Duque considera que o mercado nordestino demonstra maior abertura para a utilização da cabotagem como alternativa logística.
Segundo ele, as empresas da região valorizam fatores como sustentabilidade, redução de custos e integração entre diferentes modais de transporte.
“O Nordeste enxerga a cabotagem como um modal alternativo, e não apenas como um transporte puro e simples. As empresas também consideram o ecossistema e a sustentabilidade”, disse.
Suape pode liderar nova expansão
Na avaliação do executivo, o Porto de Suape reúne condições para se tornar o principal ponto de expansão da cabotagem no Nordeste.
A companhia também registra crescimento em Salvador e Fortaleza, mas vê Pernambuco com potencial para ampliar ainda mais sua participação, diante dos investimentos em infraestrutura e da expansão da atividade empresarial no estado.
“Suape tem tudo para ser o ponto de alavancagem do Nordeste. Já é um porto muito forte, mas pode crescer ainda mais com as mudanças do mercado”, afirmou.
A declaração ocorre no momento em que a Aliança prepara a transferência de suas operações para o novo terminal de contêineres da APM Terminals, em Suape. A companhia passará a realizar três escalas semanais na nova estrutura.
A mudança reforça a posição de Suape na estratégia da empresa e amplia a concorrência na movimentação de contêineres dentro do complexo portuário.
Cabotagem representa 4% da matriz
Apesar do crescimento, a cabotagem de contêineres ainda corresponde a cerca de 4% da matriz brasileira de transportes, segundo o executivo.
Para Duque, essa participação revela o potencial de expansão do modal em um país de dimensões continentais e com aproximadamente 8 mil quilômetros de costa.
Ele comparou a participação brasileira com a de outros mercados, nos quais o transporte marítimo doméstico possui peso significativamente maior na movimentação de cargas.
“Em países desenvolvidos, essa participação passa de 35%. Nós somos um país continental e temos uma costa extensa. Existe um potencial gigantesco para crescer”, avaliou.
A Aliança mantém escalas em portos das regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Norte. A rede mencionada pelo executivo inclui Rio Grande, Itapoá, Itajaí, Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Suape, Pecém e Manaus.
Segundo Duque, a amplitude dessa cobertura permite à empresa integrar diferentes centros produtores e consumidores, além de disputar cargas atualmente movimentadas exclusivamente por rodovias.
Custos aumentam procura por alternativas
O cenário de juros elevados, inflação e aumento dos custos operacionais também tem levado as empresas a revisar suas cadeias logísticas.
Na avaliação do executivo, períodos de maior dificuldade econômica podem favorecer a cabotagem, porque as companhias passam a procurar soluções de menor custo e maior eficiência.
“A gente cresce quando o país cresce, mas também cresce quando o país enfrenta dificuldades, porque a cabotagem aparece como uma alternativa mais barata e acessível”, explicou.
O custo dos combustíveis, entretanto, também afeta as operações marítimas. Parte relevante das despesas da companhia está relacionada ao bunker, combustível utilizado pelos navios e cujo preço acompanha as oscilações do petróleo e da cotação do dólar.
A empresa também foi impactada pelo piso mínimo do frete rodoviário, já que parte de suas operações inclui trechos realizados por caminhões.
Operação porta a porta responde por 60% do volume
Atualmente, aproximadamente 60% do volume movimentado pela Aliança é contratado no modelo porta a porta.
Nesse formato, a companhia coleta a carga na unidade do cliente, transporta o contêiner até o porto, realiza o trecho marítimo e, posteriormente, faz a entrega rodoviária no destino final.
A Aliança utiliza caminhões próprios e veículos de empresas terceirizadas. Segundo Duque, o serviço integrado reduz a complexidade para o cliente, que não precisa contratar separadamente transportadoras, terminais e operadores marítimos.
“A maioria dos clientes pede que a gente faça o transporte porta a porta. A empresa busca a carga na doca e a entrega diretamente ao cliente final”, explicou.
Para o executivo, a integração entre os modais marítimo e rodoviário é um dos principais diferenciais da companhia.
Fonte: Mercado Econômico