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Logística

90% dos galpões no Brasil operam frota intralogística manualmente

Uso de apontamentos em papel e planilhas desconectadas compromete a eficiência e eleva riscos operacionais em CDs por todo o Brasil

19/09/2026 09h14

Foto: Divulgação

Em um cenário em que a agilidade das entregas dita o ritmo de mercado, cerca de 90% dos galpões e centros de distribuição brasileiros ainda gerenciam suas frotas intralogísticas por meio de processos manuais, segundo levantamento da Softrack, plataforma líder em soluções para intralogística. A prevalência de checklists impressos, pranchetas e planilhas desconectadas revela uma barreira estrutural na movimentação de materiais, haja vista que apenas 8% das empilhadeiras em atividade no país utilizam recursos de telemetria — em forte contraste com o mercado norte-americano, no qual esse indicador ultrapassa os 60%. Essa disparidade expõe o setor nacional a gargalos que afetam o controle do tempo útil das máquinas, elevam despesas preventivas não planejadas e acentuam a ocorrência de acidentes de trabalho com equipamentos pesados em plantas industriais e armazéns.  

A persistência do modelo manual decorre, em grande parte, da falsa percepção de que a digitalização envolve processos complexos, paradas operacionais longas e custos elevados de infraestrutura. Muitas empresas adiam a modernização por receio de enfrentar projetos de implementação de 6 a 12 meses, além da resistência cultural ao abandono dos velhos formulários físicos. Adicionalmente, a falta de visibilidade sobre as perdas financeiras cotidianas — provocadas por ociosidade de ativos, rotas ineficientes, desgastes prematuros e colisões não notificadas — faz com que a gestão continue tratando os dados intralogísticos de forma reativa, limitando-se a compilar relatórios com dias de atraso para analisar falhas que já causaram prejuízos graves à operação.  

Para reverter esse quadro, a resposta da indústria reside na transição para a gestão preditiva por meio da convergência entre a Internet das Coisas (IoT) e a Inteligência Artificial (AIoT). Em vez de demandar substituições massivas de maquinário ou investimentos pesados em robótica avançada, a solução passa pela instalação de sistemas de telemetria que transformam equipamentos convencionais em ativos produtivos e monitorados constantemente. Ao conectar telemetria e análise avançada de dados, o gestor passa a acompanhar diversos parâmetros como impactos e horímetros, obtendo controle centralizado para tomar decisões imediatas no chão de fábrica.  

“A intralogística não pode mais depender de estimativas ou dados retroativos que chegam à gestão após o prejuízo, a falha ou o acidente. A combinação entre telemetria e inteligência artificial transforma dados operacionais em decisões preditivas, antecipando falhas mecânicas antes que causem paralisações, corrigindo comportamentos operacionais e dimensionando a frota conforme a demanda. O resultado é a redução expressiva nos custos de manutenção, mais segurança, melhor aproveitamento dos ativos e ganho de produtividade, sem a necessidade de adquirir novas máquinas”, afirma Mário Bavaresco Neto, especialista da Softrack.  

A aplicação dessa abordagem conectada comprova que o pilar da segurança caminha lado a lado com os resultados financeiros nas cadeias de suprimentos de alta performance. As operações monitoradas por inteligência preditiva conseguem registrar reduções de até 98% no risco de acidentes de trabalho, mitigando ocorrências graves e criando um ambiente controlado. Paralelamente, os ganhos operacionais manifestam-se em aumentos de até 20% na produtividade dos equipamentos e em economias na ordem de 20% a 40% nas despesas de manutenção, consolidando a digitalização acessível da intralogística como o grande divisor de águas entre armazéns estagnados no passado e estruturas verdadeiramente competitivas.